EU E AS COISAS!

Eu aqui, as coisas comigo... Eu com elas...
Companhia sem comparação
Eterna indagação entre ser e não ser!
Eu, pensando ser coisa e elas parecendo ser pessoas!
Pessoas curiosas, pessoas alertas.
(querem saber o que eu penso...)
Talvez nem eu seja pessoa, nem elas sejam coisas...
talvez sejamos um só espalhados pelo espaço.
andando passo por passo em busca do laço.
Laço entre mim e elas, entre elas e outros...
entre os seres e não seres 
da indagação eterna de nossas mentes.
Eu aqui, as coisas comigo, eu com elas
Um mundo sem início nem fim...

Por: Vanessa Gonçalves Vieira  29/01/2010

POÉTICA

" De manhã escureço
de dia tardo
de tarde anoiteço
de noite ardo.

A oeste  a morte
contra quem vivo
do Sul cativo
o este é meu norte

Outros que contem
passo por passo
eu moro ontem

nasço amanhã
Ando onde há espaço
- Meu tempo é quando."

Vinicius de Moraes

A HISTÓRIA DOS PENSAMENTOS

Existe um belo país onde só vivem os pensamentos. Um lugar muito bonito. Cheio de harmonia. Todos os pensamentos vivem bem e felizes à espera de serem pensados. De vez em quando acontece até uma briguinha, uma aposta, para ver quem vai ser pensado primeiro. Todos querem muito ser pensados.

         Bom! Como no mundo dos humanos existem muitas diferenças, no mundo dos pensamentos não seria diferente. Lá, temos inúmeras diferenças. Por exemplo, temos aqueles pensamentos mais lerdinhos, aqueles mais rápidos que parecem mais um raio quando é disparado. Temos também aqueles reflexivos, aqueles mais tranqüilos, que conseguem pôr ordem em todas as confusões.

          Pois é! Existem também aqueles pensamentos que não sabem esperar a sua hora. Sabe como é. Eles são totalmente inconvenientes. Vivem a importunar as cabecinhas das pessoas. Eles não respeitam o tempo e por isso acabam trazendo problemas para quem os pensa.

         Esses pensamentos não são moles! Eu fico até com pena deles!

         Gente! Não pode fazer nada forçado! E muito menos forçar os outros. Cada um tem que esperar a sua vez. Mesmo se a sua vez não vier.

         Ah! Vamos deixar os inconvenientes de lado e vamos falar dos convenientes!!

         Gente, Tem um pensamento lá na terra de Pensalônica. É gente, Pensalônica! A terra dos pensamentos!! E não discuta comigo!

         Bom voltando ao assunto. Lá na terra de Pensalônica tem um pensamento que é chamado de REFLEXÃO. E de todos é o meu preferido. Sabe por quê? Esse pensamento já me ajudou muito. Ele é um pensamento sábio, é claro que existem outros pensamentos sábios, mas falemos deste, que na verdade é Ela: A reflexão.        Ela me mostrou que é muito útil para a vida humana. Tudo que se faz aqui na Terra. É gente! Terra, Planeta água, Moradia dos seres Humanos. Puxa! Tá difícil Hein? Vamos acelerar o pensamento ai. Por favor!! Uf!

         Pois então. A reflexão é muito importante! Porque nada do que se faz aqui pode ser feito sem reflexão. Porque senão se cai do cavalo. E creio que muitas pessoas estão bastante machucadas, simplesmente porque se esqueceram do principal A REFLEXÃO.
         São tantos tombos! Tantos fracassos! E esses caintes, Pôxa gente Caintes, pessoas que caem! Esses caintes ainda têm a audácia de pôr a culpa nos outros. Quando na maioria das vezes os culpados são eles mesmos.

          Considero a Reflexão como um pensamento inconveniente necessário. Inconveniente porque ela sempre se apresenta. Ela diz assim: “Olha eu estou aqui e se eu fosse você aproveitaria a minha companhia!” E necessário porque ela não está errada! A companhia dela em nossas vidas é essencial. E como a palavra mesmo diz essencial, aquilo que não pode faltar!
         A reflexão é muito importante para qualquer decisão em nossas vidas.  Mesmo aquelas que parecem ser pequenas, sem a mínima importância. Porque às vezes para nós não tem importância agora, mas lá na frente veremos que elas realmente tinham o seu valor.        

         Eu gosto da reflexão, também, porque ela nos ajuda no conhecimento interior. O conhecimento de si mesmo. A análise de nossas ações. Tudo na vida precisa, e deve ser refletido, pois a vida por si mesma já é uma reflexão.

         Tenho um recado de PeExiste um belo país onde só vivem os pensamentos. Um lugar muito bonito. Cheio de harmonia. Todos os pensamentos vivem bem e felizes à espera de serem pensados. De vez em quando acontece até uma briguinha, uma aposta, para ver quem vai ser pensado primeiro. Todos querem muito ser pensados.

         Bom! Como no mundo dos humanos existem muitas diferenças, no mundo dos pensamentos não seria diferente. Lá, temos inúmeras diferenças. Por exemplo, temos aqueles pensamentos mais lerdinhos, aqueles mais rápidos que parecem mais um raio quando é disparado. Temos também aqueles reflexivos, aqueles mais tranqüilos, que conseguem pôr ordem em todas as confusões.
          Pois é! Existem também aqueles pensamentos que não sabem esperar a sua hora. Sabe como é. Eles são totalmente inconvenientes. Vivem a importunar as cabecinhas das pessoas. Eles não respeitam o tempo e por isso acabam trazendo problemas para quem os pensa.

         Esses pensamentos não são moles! Eu fico até com pena deles!
         Gente! Não pode fazer nada forçado! E muito menos forçar os outros. Cada um tem que esperar a sua vez. Mesmo se a sua vez não vier.
         Ah! Vamos deixar os inconvenientes de lado e vamos falar dos convenientes!!
         Gente, Tem um pensamento lá na terra de Pensalônica. É gente, Pensalônica! A terra dos pensamentos!! E não discuta comigo!

         Bom voltando ao assunto. Lá na terra de Pensalônica tem um pensamento que é chamado de REFLEXÃO. E de todos é o meu preferido. Sabe por quê? Esse pensamento já me ajudou muito. Ele é um pensamento sábio, é claro que existem outros pensamentos sábios, mas falemos deste, que na verdade é Ela: A reflexão.        Ela me mostrou que é muito útil para a vida humana. Tudo que se faz aqui na Terra. É gente! Terra, Planeta água, Moradia dos seres Humanos. Puxa! Tá difícil Hein? Vamos acelerar o pensamento ai. Por favor!! Uf!

         Pois então. A reflexão é muito importante! Porque nada do que se faz aqui pode ser feito sem reflexão. Porque senão se cai do cavalo. E creio que muitas pessoas estão bastante machucadas, simplesmente porque se esqueceram do principal A REFLEXÃO.
         São tantos tombos! Tantos fracassos! E esses caintes, Pôxa gente Caintes, pessoas que caem! Esses caintes ainda têm a audácia de pôr a culpa nos outros. Quando na maioria das vezes os culpados são eles mesmos.

          Considero a Reflexão como um pensamento inconveniente necessário. Inconveniente porque ela sempre se apresenta. Ela diz assim: “Olha eu estou aqui e se eu fosse você aproveitaria a minha companhia!” E necessário porque ela não está errada! A companhia dela em nossas vidas é essencial. E como a palavra mesmo diz essencial, aquilo que não pode faltar!

         A reflexão é muito importante para qualquer decisão em nossas vidas.  Mesmo aquelas que parecem ser pequenas, sem a mínima importância. Porque às vezes para nós não tem importância agora, mas lá na frente veremos que elas realmente tinham o seu valor.        

         Eu gosto da reflexão, também, porque ela nos ajuda no conhecimento interior. O conhecimento de si mesmo. A análise de nossas ações. Tudo na vida precisa, e deve ser refletido, pois a vida por si mesma já é uma reflexão.

         Tenho um recado de Pensalônica para você!

          Ele diz assim: O pensamento mais importante é o seu pensamento; atitude mais importante é a sua atitude, o sorriso mais alegre é o seu sorriso. Aprenda a se valorizar. Aprenda a se colocar em um lugar especial para você mesmo. Pense nos outros mas pense também em você, isso não seria egoísmo. Analise a sua vida e faça dela.... A MELHOR VIDA!!!!!! 

Por: Vanessa Gonçalves Vieira


Faça o fantástico turismo gratuito dos livros. Você irá a tempos e lugares aonde avião algum pode chegar..."

Rubem Alves

TRADUZA-SE

UMA PARTE DE MIM
É TODO MEU SER
OUTRA PARTE DE MIM É TODA A
MINHA VIDA.



UMA PARTE DE MIM É SOLIDÃO
OUTRA PARTE É VONTADE DE VOAR
CONTEMPLAR ALEGREMENTE O SOL NASCENTE
E BUSCAR O SENTIDO DA VIDA


UMA PARTE DE MIM
PESA, QUANDO NÃO ME ACENTO

OUTRA PARTE
SE ELEVA QUANDO ME ACEITO


UMA PARTE DE MIM É
LIVRE E CONTENTE
OUTRA PARTE
FRIA A CALCULISTA


UMA PARTE DE MIM
É PERMANENTE
OUTRA PARTE INESISTE
E POR FIM ACABO VIVENDO PERMANETE


UMA APRTE DE MIM
É SÓ PLANO
OUTRA PARTE
É REALIZAÇÃO TOTAL


TRADUZIR O QUE SINTO
NA DUVIDA QUE TENHO
QUE É NA VERDADE A MINHA PARTE
SERÁ QUE AINDA TENHO PARTE??


Vanessa G. Vieira




Pobre sim, Burro não!!!






Fiquei indignado com aquela situação. Sinceramente, eu não sei  o que acontece com esse pessoal. Acham que porque nós somos pobres, também seremos burros.
Ah! “Péra” ai, classificar pessoas de burras porque elas fazem jus ao título tudo bem, mas escolher uma classe e simplesmente rotulá-la, por causa da sua condição, tenha a santa paciência!
Eu ainda falei que eu não queria ir àquele lugar, mas a Dani insistiu tanto que eu acabei cedendo. Era um jantar que os pais dela haviam preparado para  os avós e ela pediu que eu a acompanhasse porque ela sabia que seria uma chatice agüentar aqueles velhos.
Lá fui eu. Coloquei uma belíssima camisa de manga comprida e uma calça social que sinceramente eu amava. Resumindo eu estava um gato!
 Mas parece que isso não impressionou os velhinhos, porque a primeira coisa que me perguntaram, digo, as primeiras coisas que me perguntaram, foi: Qual é  o sobrenome da sua família? Em qual jornal vocês já apareceram? Qual é a empresa da sua família? Blá, blá, blá! Blá, blá, blá!
E o pior de tudo não foi isso. Depois que souberam que eu era de uma família, “humilde”. Eu simplesmente tiver que ficar respondendo a perguntinhas bestas que eles  achavam que eu, por ser pobre, não saberia  responder. Gente! Ser pobre não é sinônimo de sem cultura.
Saí daquele lugar arrasado. Eu queria entender o porquê das pessoas que são consideradas “ricas” pensarem que são superiores as demais pessoas. Não dá para entender. Se achar superior somente por ter um monte de papel valioso nas mãos!?                Isso é ser rico? Meu pensamento é totalmente contrário. Para mim este é o pobre verdadeiro. Pobre de sentimento, pobre de consciência e de sabedoria.
Não se pode considerar rica uma pessoa que só consegue valorizar os outros pelo tamanho de sua conta no banco.
Ah! quer saber, me dói o coração lembrar daquele dia. Depois que a raiva se foi eu passei a ter pena daquelas pessoas. Elas não sabem o que é o amor! Só conseguem pensar em dinheiro e posição social. Seus olhos estão tão cobertos de presunção que só conseguem ver e valorizar o lixo da humanidade: O desprezo!
Tenho pena! Porque vejo que eles, enquanto preocupados com ruas realizações e condições, estão deixando de aprender aquilo que realmente os faria ricos, o amor pelo  próximo,  o valor às pequenas coisas e as pessoas. 
Vanessa G. Vieira





'Classificados Poéticos'

      
I
Aluga-se um coração feito de algodão doce
cheio de doçura
Carinho igual a esse ninguém tem dado.
O primeiro interessando ganhará um prêmio:
será meu namorado.


II


Distribui-se carinho
EFEITO: Te deixa feliz por tempo indeterminado.
CONDIÇÕES PARA OBTÊ-LO: Prometer que será passado adiante.
LOCAL DA DISTRIBUIÇÃO: Esquina da rua da alegria 
com a rua Esperança
Aguardamos por você
tratar com Amor eterno!!!




III


Perdi meu coração
Acho que foi na rua da fantasia
Estava tão distraída que tem notei tanta façanha.
já estou acostumada com suas fugidas.
mas mesmo assim...
Por favor...
Quem encontrá-lo:
Sua doan se encontra logo ao lado,
na Rua dos Pensamentos.


Por: Vanessa Gonçalves Vieira








  

HOJE


Hoje te amei, porém, muito mais do que ontem.
E ontem muito mais que anteontem.
Agora, vivo a esperança de que amanhã te amarei
Muito mais que hoje.

Hoje te esperei, porém, você não veio. Assim
Como não veio ontem, nem anteontem.
Agora vivo a esperança de que amanhã te esperarei
Muito mais que hoje.

Hoje te quis, porém, você não me quis.
Assim como não me quis ontem nem anteontem.
Agora vivo a esperança de que amanhã vou te querer
Um pouquinho menos que hoje.

Te esqueci, Agora te amo menos que ontem,
Espero-te menos que anteontem. E no presente momento,
Vivo a desconfiança de que amanhã já terei te esquecido
Muito mais do que hoje.
                                                                Vanessa Gonçalves Vieira em    27/07/2006

MOMENTO


Aproveite cada momento de sua vida...
Para que um dia possas dizer com orgulho:
- Eu gritei quando tive vontade de gritar;
- Pulei porque tive vontade de pular;                                                                             
- Sorri porque senti vontade de sorrir;
- Paguei mico' não porque eu quis mas...
 Porque eu precisava reconhecer que:
 Sou um ser humano e como tal imperfeito;
Que muitas vezes chorei, mas foi dessa forma,
que aliviei as angústias que me inquietavam.
E foi chorando, também, que demonstrei
Toda a minha alegria e felicidade...

Aproveite cada momento de sua vida...
Para nunca se esquecer que:
tento um amigo, não hesite  em abraçá-lo,
pois um abraço vale mais do que
Todas as palavras do mundo
E lembre-se!
“Nunca seja você o primeiro a soltar os braços”;
E nunca deixe de olhar os outros nos olhos
porque um dos motivos para o ser humano estar sempre
Se enganando com os outros é o fato de nunca tê-los encarado,
Pois os olhos são as janelas do Coração.
É bom nunca se esquecer disso...
Viva cada momento como se fosse o último...
Para não se esquecer de:
Falar tudo o que te for necessário e, também,
o que achar necessário dizer aos outros.
Às vezes uma palavra nossa pode mudar a vida do outro.

E o mais importante de tudo isso é:
Nunca deixe...
De ser você mesmo em todas as situações de sua vida.
Lembrando-se que...
Para você ser autêntico é necessário que você se
Conheça.
E você só vai se conhecer...
Se você...
...Aproveitar cada momento de sua vida!!!

                                                                                                    Vanessa  Vieira em     23/10/06

Sê Inteiro!!!!






Para ser grande, sê inteiro: nada 
Teu exagera ou exclui. 
Sê todo em cada coisa.


Põe quanto és 
No mínimo que fazes.


Assim em cada lago a lua toda 
Brilha, porque alta vive
(Ricardo Reis/ Fernando Pessoa)

ODES DE RICARDO REIS

Sim. sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
que nunca serei uma obra.

Sei enfin,

Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esra paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


(Ricardo Reis/ Fernando Pessoa)

'SOLIDARIEDADE'




Seja bom com os outros.

A distãncia que você caminha na vida
Vai depender da sua ternura com os jovens,
Da sua compaixão com os idosos,
Sua compreeção com aqueles que lutam,
Da sua tolerância com os fracos e os fortes.
Porque algum dia na vida você poder ser
Um deles.
(Geroge W)

O EXEMPLO

"Nada é tão contagioso quanto o exemplo; 
Nuca se fez o bem ou o mal sem que outros
o reproduzam."
(Desconheço o Autor)


MEU MASCOTE!!

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PARANDO PARA REFLETIR






Mamãe: Hoje, dia das mães, as famílias se reúnem para o almoço e os filhos têm obrigação de dar presentes para suas mães. Não gosto disso. Não acredito em amor com data marcada. É falso. Você, tímida demais, não gostava de situações em que você fosse o centro das atenções. Você queria mesmo era ficar escondida. Mas você já partiu. O Ismael, depois da sua morte, me disse que sofria pensando em você tão frágil, tão desprotegida, caminhando sozinha pelos espaços infinitos e solitários do universo.




O que eu queria era poder assentar-me ao seu lado para conversar o que nunca conversamos. De fato, nós nunca conversamos. A culpa não foi minha e não foi sua. Naquele tempo conversas íntimas entre mães e filhos eram impensáveis. No seu caso era mais grave porque no sobradão colonial do capitão Evaristo, seu pai, conversas íntimas eram proibidas. Dizer um sentimento era uma obscenidade. Capitão Evaristo: capitão só de nome, pois não mandava nada. Quem mandava era o triunvirato feminino, encabeçado pela vovó, que exercia o poder sobre a casa. O capitão era um fantasma. O Ismael, que morou por alguns anos no sobrado, me confidenciou nunca haver presenciado uma única troca de palavras entre o vovô e a vovó. O ódio era muito e infectava a atmosfera. Talvez essa fosse a razão para a proibição da fala sincera. Lembro-me de um incidente que me foi relatado por alguém: o vovô foi ao jardim e podou uma roseira da vovó. Não sei com que intenções ele o fez. Pode ter sido um gesto de carinho. Mas pode ter sido um gesto de ódio. Ele tinha razões para odiar. Como não podia falar, podou. A vovó, sabendo que o capitão gostava de vinho, se dedicava sadicamente a esvaziar suas garrafas de vinho na pia. Talvez, com sua tesoura de podar, ele estivesse cortando os dedos, as orelhas, o nariz da mulher que fazia isso. A vovó, como vingança pela poda de sua roseira, passou dezessete anos sem ir ao jardim. Ô, vingança besta, vingança que só se explica por ódio acumulado. Nos casamentos de antigamente, casamentos que só a morte separava, era impossível que os ódios não ficassem fervendo nas panelas. As mulheres fracas aceitavam o seu destino humilhante em silêncio, dedicavam-se ao crivo, à cozinha, e choravam trancadas no banheiro. Mas quando as mulheres eram fortes, como a vovó, as vinganças eram inevitáveis: ou esvaziando as garrafas de vinho, ou se recusando a falar, ou salgando a comida, ou trancando o seu corpo, havendo mesmo casos escabrosos como aquele relatado por Guimarães Rosa de uma mulher que despejou chumbo derretido dentro do ouvido do marido, enquanto ele dormia. Quando eu contava essas coisas para a minha analista, a Dra. Jujú, ela observava, assombrada: “Mas professor, isso é muito mais fascinante que Cem anos de solidão!“. Se eu soubesse escrever novelas, garanto que seriam mais interessantes que as do Gabriel...


Tudo para impedir a intimidade e a sinceridade: assim era o sobrado. Entrava-se por uma porta enorme, que levava a um corredor largo. Ao final, dois lances de escada que conduziam ao segundo andar. Ao final das escadas, a sala de visitas. Linda, impecável, forro barroco com frisos dourados, espelhos enormes com molduras também douradas, um piano Pleyel com castiçais e velas, consoles de mármore, esculturas, vasos, cadeiras de palhinha, lustres, vidros coloridos importados na porta de entrada, quatro portas que se abriam para as sacadas que davam para a praça... Ali ficavam as visitas, segregadas antes de entrar na casa. Ali se tocava piano e se falava sobre coisas que não fossem íntimas. Você se lembra que no sobrado os irmãos jamais se abraçavam, jamais se beijavam. Você lembra de algum beijo que algum irmão lhe tivesse dado? Eles também só abriam a sala de visitas. No sobrado as relações eram regidas pelo silêncio.


Esse foi o mundo onde você foi criada. Seria impossível esperar que você tivesse condições para quebrar as regras que a educação gravou no seu corpo. (GRIFO  MEU) Assim, nossas relações também foram marcadas pelo silêncio. Falávamos, sim, mas jamais sobre intimidades. Jamais lhe fiz uma confidência. Você não entenderia, não saberia o que fazer com ela. E você jamais me revelou um sentimento. Lembro-me que, quando morávamos no Rio de Janeiro, você passava por períodos de depressão. Mas você jamais se queixou, jamais traduziu sua depressão em palavras. O seu silêncio fazia de você um enigma a ser decifrado.


Mas agora que você está encantada, a lei do silêncio foi abolida. E eu gostaria de conversar sobre seus sonhos e amores secretos. Tenho suspeitas... Aquele seu professor de piano, jovem maestro italiano, másculo, Riciotti... Você me mostrou um retrato dele cercado de alunas. Ele me parecia tudo, menos um maestro. Parecia-me mais um domador de feras. Pois ele lhe compôs uma valsa quando você completou 15 anos: Ela aos 15 anos... Teria sido uma discreta declaração de amor? Imagino que ele, para lhe ensinar a posição correta das mãos, pegava nas suas e, ao fazer isso, aproximava o seu rosto do seu! Que arrepios você deve ter sentido! Mas, de repente, inexplicavelmente, seus pais a enviaram para Juiz de Fora, como interna. Curioso, porque Lavras possuía uma excelente escola americana, o Colégio Carlota Kemper, bem defronte ao sobrado. Eu nunca compreendi esse fato. Mas, faz uns dias, tive uma idéia: vovô e vovó perceberam que um romance estava rolando e eles, de sangue azul, jamais permitiriam que sua filha se casasse com um maestrinho pobretão italiano. Você foi enviada para Juiz de Fora para ficar longe do Riciotti. Destino parecido teve a Mema. Apaixonou-se por um plebeu honrado mas o vovô disse não. E quando pai – qualquer pai - dizia não, o assunto estava encerrado. A Lou Salomé e a Chiquinha Gonzaga foram excessões. Minha interpretação é perversa: a Mema era bonita e o vovô não podia suportar a idéia de um homem estranho fazendo amor com ela. Impulso pedófilo... A Mema morreu solteirona, virgem e triste. Quando o vovô estava morrendo ele pediu perdão, mas já era tarde demais. Há pedidos de perdão que são malditos, não deveriam ser feitos.


No final das contas você se casou com o papai, homem bonito e rico, de gostos musicais ingênuos, muito diferente do Riciotti... Você era música. Poderia ter sido uma concertista. Lembro-me de você tocando a primeira balada de Chopin... O papai se esforçava mas não conseguia entrar no seu mundo. Por isso, a parte mais profunda de você viveu solitária. Uma memória feliz que tenho de nós dois: quando ouvíamos música estávamos juntos. A música dispensa confidências. Lembra-se da felicidade de ir aos concertos matutinos no Rio de Janeiro, aos domingos?


Pois eu queria me assentar com você para conversar sobre essas coisas, sua vida, seus sentimentos, os seus amores. Sei que, no seu estado normal, isso seria impossível. Mas... uma coisa estranha aconteceu. Quando você já estava velhinha você teve um AVC – e parece que o tal AVC abriu vários quartos proibidos... Pois você chegou mesmo a falar “merda“ – palavra que você nunca havia falado - e morreu de dar risada! É isso que eu gostaria de fazer hoje: entrar por aquele buraco que o AVC abriu para conhecer o seu mistério. E então, talvez, pudéssemos andar de mãos dadas, dando risadas...


Antigamente não havia nem almoços e nem presentes. Os que tinham mães usavam uma flor vermelha na lapela. Os que não tinham mães usavam uma flor branca na lapela. Hoje usarei uma flor branca. Beijão. Até daqui uns dias...




















Rubem Alves

Keith Jarrett- Pianista

Keith Jarrett  é um compositor e pianista estadunidense. Suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros gêneros e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros. (WIKIPÉDIA).

Mais informações em  Ejazz


Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras

mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.


Carlos Drummond de Andrade

CORVADIA

Passeavam dois amigos numa festa, quando apareceu um urso feroz e se lançou sobre eles.

um deles trepou a uma árvore e escondeu-se, enquanto o outro ficava no caminho. Deixando-se cair ao solo, fingindo-se morto.


O urso aproximou-se e cheirou o homem, mas como este retinha a respiração, jugou-o morto e afastou-se.

Quando a fera estava longe o outro deixou a árvore e perguntou a gracejar, ao ouvido?

-Que te disse o Urso ao ouvido?

-Disse-me que aquele que abandona o amigo  no perigo é um covarde!

MALBATAHAN

DIREÇÃO DIVINA

As tuas mãos dirigem meu destino.
Ó Deus de amor, que sempre seja assim!
Teus são os meus poderes, minha vida;
Em tudo, eterno Pai, dispõe de mim.
Meus dias sejam curtos ou compridos,
Passados em tristezas ou prazer,
Em sombra ou luz, é tudo como ordenas
E eu tenho por bem-vindo o teu querer.

As tuas mãos dirigem meu destino,
Cravadas dantes na sangrenta cruz;
Por meus pecados foram transpassado
E posso nelas descansar, Jesus!
Nos céus erguidas, sempre intercedeu
As santas mãos não pedirão em vão;
Ao seu cuidado, em plena confiança,
Entrego a minha eterna salvação.

As tuas mãos dirigem meu destino;
Acasos para mim não haverá.
O grande Pai vigia o meu caminho
E sem motivo não me aflingirá.
Eu tenho em seu poder constante amparo,
Forte é seu braço, imenso o seu amor;
E em breve, entrando na cidade eterna
Eu louvarei meu guia e Salvador.

***********************************************************

Olhe, não corra
pare, não  ande
Apenas observe
pois você pode,
de uma hora para a outra,
não estar mais aqui
para olhar.

Meus olhos perguntam:
Pra que correr, meu Deus?
Mas minhas pernas
não me ouvem
continuem a correr
sem saber para onde.


David Adilson C. Rodrigues

Romance LIII ou das palavras aéreas








(Cecília Meireles)

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta:
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa:
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...


A liberdade das almas,
ai! Com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...

Detrás de grossas paredes,
de leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
sem peso de ação nem de hora...
- e estais no bico das penas,
- e estais na tinta que as molha,
- e estais nas mãos dos juízes,
- e sois o ferro que arrocha,
- e sois barco para o exílio,
- e sois Moçambique e Angola!


Ai, palavras, ai, palavras,
íeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto,
promessas que o mundo sopra...

Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois, agora?

- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- o olho ardente da perfídia,
a velar, na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro das perguntas,
com sangue em cada resposta:
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa...

Ai, palavras, ai, palavras
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
- sois madeira que se corta,
- sois vinte degraus de escada,
- sois um pedaço de corda...
- sois povo pela janelas,
cortejo, bandeira, tropa...

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro de aragem...
- sois um homem que se enforca!

UM BRINDE À AMIZADE




A FELICIDADE




Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranqüila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor


Vinicius de Moraes

SONETO DO AMIGO

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica..



Vinicius de Moraes

PARA VOCÊ PENSAR


POESIA:  Um coração peregrino a cantar, a sorrir...

VIDA: esboço da pátria futura...
AMOR: Algumas gotas de paraíso tombado na terra...
ESPERANÇA: A seta verde e amiga apontado o caminho a seguir...

Roque Schneider

O Papel e a tinta


Certo dia, uma folha de papel que estava em cima de uma mesa, junto com outras folhas exatamente iguais a ela, viu-se coberta de sinais. Uma pena, molhada de tinta preta, havia escrito uma porção  de palavras ana folha.

- Será que você não podia ter me poupado esta humilhação? Disse, furiosa, a folha de papel para a tinha.
- Espere! respondeu a tinta. - Eu não estraguei você. Eu cobri você de palavras. Agora você é guardiã do pensamento humano. Você se transformou num documento precioso.
E, realmente, pouco depois, alguém foi arrumar a mesa e apanhou as folhas de papel para jogá-las na lareira. Mas subitamente reparou na folha escrita com tinta, e então jogou fora as outras, guardando apenas a que continha uma mensagem escrita.
(Leonardo Da Vincci. Fábulas e lendas. Tra. Vera Maria Teixeira
Soraes e MArio. Rio da Janeiro, Salamandra, 1977, p15)

SORRIA

SORRIA,


mesmo que seja um sorriso triste
porque mais triste do que um sorriso triste,
é a tristeza de não saber
SORRIR


A CRIANÇA QUE FUI CHORA NA ESTRADA


A criança que fui chora na estrada
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada
Já não sei de onde vim nem onde estou
De não o saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte de onde posse enfim
O que esqueci, ilhando-o relembrar

Na ausência, ao menos saberei de mim
E ao ver-me tal qual ao longe fui ao achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa

AUTOPSICOGRAFIA

    O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
    Fernando Pessoa

PEDRA NO CAMINHO


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.





Carlos Drummond de Andrade

Anfiguri 
 
Aquilo que eu ouso
Não é o que quero
Eu quero o repouso
Do que não espero.

Não quero o que tenho
Pelo que custou
Não sei de onde venho
Sei para onde vou.

Homem, sou a fera
Poeta, sou um louco
Amante, sou pai. 

Vida, quem me dera...
Amor, dura pouco...
Poesia, ai!...

Vinícius de Moraes

 

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