Resenha: Vamos comprar um poeta - Afonso Cruz

Olá, pessoas queridas! Tudo bem? Animados para começar o ano Literário de 2021?  

Por aqui estamos bastante animados!

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Bem, dica de leitura que trago hoje para nossa reflexão é sobre o livro Vamos comprar um poeta, escrito pelo português Afonso Cruz e publicado pela Editora Dublinense. 

A obra nos conta a história de uma família que vive em uma sociedade distópica materialista. Onde tudo o que se vê, fala e consome é minunciosamente calculado. Os objetos usados pelas pessoas são todos patrocinados e todas as ações são medidas pelo custo e pelo lucro que geram. 

Nesta sociedade utilitarista também somos apresentados aos Artistas de Estimação. Pois, nesta sociedade ao invés de terem animais as pessoas decidem ter artistas. 

A família que o autor nos apresenta é composta por quatro integrantes o pai, a mãe, um menino e uma menina, todos nomeados com séries numéricas. E um dia durante o jantar a menina menciona que gostaria de ter um poeta. 

O pai lhe compra o artista e a história se abre para diversos conflitos gerando temas como, um pai empresário que precisa manter sua empresa gerando lucros, uma mãe que se treinou a cuidar da casa e dos filhos, um irmão que quer seguir os passos do pai e uma menina que aprendeu a viver neste mundo de medidas, mas que tem um poeta. E este que vive em um "mundo de encantamento" faz um rebuliço nos modos de viver desta casa.


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O que dizer desta obra meus queridos!??

 
Primeiramente, posso dizer que o autor foi cuidadoso com suas personagens e tratou de definir muito bem suas características. Segundo, que este livro além de um entretenimento divertido nos traz também boa dose de reflexão sobre uma realidade futura, bem próxima, que nos traz grandes perigos caso não cuidemos hoje de nossas maneiras de ser e estar neste mundo em que vivemos. 
 
Digo isto porque mesmo sendo tão distópica esta sociedade ainda se correlaciona com atitudes isoladas (nem tanto) que vivenciamos hoje em nosso dia a dia, mas que são mascaradas ou minimizadas por diversos motivos. Imagine, viver em um mundo onde a razão é a principal forma de existência, onde a sensibilidade vira pó e o outro só tem utilidade se te traz algum benefício. É sobre isto que o autor nos faz refletir. Mas veja bem... Será que isto é tão distante assim?
 
Em, Vamos compar um poeta, contar os passos, mensurar a pressão de um beijo e de uma batida do coração, medir palavras para não perder patrocínio e estar sempre preocupado com a utilidade do que se faz são realidades naturais. E, em contrapartida, palavras com duplo sentido, metáforas, encantamentos com a natureza, espaço para as emoções, são atitudes, falas e emoções que não cabem neste mundo de resultados. 
 
A menina quando pede um poeta traz para dentro de sua casa a possibilidade de enxergar um mundo diferente, um mundo onde as coisas podem ser vistas de outro jeito, um jeito mais simples, leve... Mas não menos importante do que o jeito da razão e da exatidão.
 
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São tantas as possibilidades de diálogos que o autor nos traz que fica até difícil escolher um para compartilhar mais a fundo com vocês. Mas é sério! Vale muito a leitura!

Ao longo da história não parei de pensar sobre a loucura de se ter uma sociedade onde os artistas seriam apenas distrações, colocados como seres sem utilidade real e que pudessem ser comprados... Imaginem comprados! E descartados a qualquer momento como se não fossem humanos. 
 
Porém, após uma boa reflexão e fazendo correlações com nossa realidade presente, fiquei pensando na forma como as pessoas tratam os artistas hoje... Certeza que vocês já ouviram por aí... "Aquele vida boa" "quer ganhar dinheiro fácil" "Não gosta de trabalhar" Ou algo do tipo...

A sensibilidade tem virado algo ruim, pessoas que se emocionam com pequenas atitudes são tachadas de vulneráveis, frágeis. Aqueles que não tem aptidão para gerar dinheiro são os atrasados... Nossos valores estão cada vez mais materiais e nossas emoções trancadas em gavetas a "sei lá" eu quantas chaves! E a cada dia, mais pessoas são tomadas pela depressão porque não estão dando conta das exigências que a sociedade nos impõe.
 
Resumido, este livro tão pequeno e tão pouco conhecido é um achado no deserto com grandes coisas a nos ensinar.  E eu espero que você  leitor, dê uma oportunidade para ele. 

A diagramação está simples, mas bem limpa, as letras são confortáveis, folhas amarelas que eu gosto bastante! E a capa? Bem, foi ela que me gerou curiosidade pela obra! 
 
 
 ***
É isso gente querida! 
Vou terminando por aqui para não fazer testamento, 
mas se quiserem conversar nos comentários é só me chamar que vai ser um prazer! 

Saiba mais sobre o autor Afonso Cruz clicando aqui
 

 Gostou do livro e quer pedir o seu? Use o meu link da Amazon.
Não acrescenta nada ao valor do livro, mas você me ajuda e apoia meu trabalho! ❤




Um abraço grande! E boas leituras em 2021!
Vanessa Vieira

 

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20 Comentários

  1. Gostei muito da resenha, achei o livro bem interessante já está anotado aqui para minhas próximas compras ....

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    1. Que noticia boa Minda! Espero que seja uma boa leitura! <3

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  2. Não conhecia a obra, mas achei super interessante, principalmente pelo questionamento que você levantou no final.
    Eu, como artista, sei que essa vida não é fácil. Temos o nosso trabalho desvalorizado e ninguém quer pagar por ele. E além de tudo, as pessoas pensam que levamos uma "vida boa" e que não fazemos nada. Triste.
    Adorei a indicação!

    Estante da Pipoca | @estantedapipoca

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    1. Verdade Vitória! Precisamos valorizar nossos artistas. Eles sempre nos fazem enxergar a graça e a beleza da vida! Merecem respeito!

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  3. Essa obra traz uma reflexão bem interessante .Estou querendo ler algo nessa pegada . obrigada pela dica.

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    1. Nada minha querida! Espero que tenhas uma boa experiência!

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  4. Oi
    Eu adorei a resenha 🙂 a capa é uma graça,ja quero ler

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    1. Coisa boa Joana! Vai por mim, é uma leitura incrível!

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  5. adorei a resenha
    muito esclarecedora
    me encantei pela capa do livro, linda

    www.mundodasmulheresbrasil.com

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    1. Que bom saber Luma! Esta capa está linda né?!
      beijinho!

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  6. Esse livro realmente parece ser fenomenal com assuntos importantes e de linguagem fluida... exatamente do jeito que eu gosto. Irei buscar para ler!
    Amei a resenha.

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    1. Que coisa boa de saber minha querida! Espero que faça uma boa leitura! Depois passa aqui para me contar! =)

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  7. Eu amo as edições da editora Dublinense, eles estão sempre trazendo histórias com assuntos importantes e uma linguagem muito fluída! Eu gostei muito dos pontos que você abordou e sei o que é ter o trabalho desvalorizado na internet por "Ns" motivos.

    Beijos e abraços
    Viviane Almeida

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  8. Não conhecia este livro, mas adorei a resenha...penso que hoje passamos por momentos difíceis em vários aspectos e quem vive da arte como ganha pão imagino que deva sofrer muito por conta do risco de plágio de suas obras sem contar a precificação que a própria sociedade coloca como regra ao artista e que algumas vezes chega a ser injusta. Hoje não me espanto, mas me entristeço quando descubro que algum artista mal começou e não vai mais continuar com sua obra.

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  9. Olá, tudo bem? Parece realmente um grande achado nos títulos, porque não o conhecia, mas fiquei mega curiosa. Primeiro por ser uma temática completamente diferente e instigante, e segundo que parece ser uma ótima leitura para refletir sobre os assuntos abordados. Adorei a dica, e com certeza anotada!
    Beijos

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  10. Uau! Adorei! Achei o roteiro do livro MUITO ORIGINAL. Acho que muitas pessoas já estão próximas desta realidade. Tudo pela fama, tudo para ser aceito, tudo para não ser cancelado, tudo para fazer parte da galera "cool" - sem pensar no bem do próximo, sem pensar no mau que certas bandeiras vitalmente causarão nas pessoas. Vale tudo pelo discurso - e o único valor das pessoas é medido pelo quanto elas podem fazer você mais popular e enganosamente mais "agradável" devido ao seu discurso. Vai perder seguidores? Vai perder patrocinadores? "Então cale a boca e não fale o que pensa, apenas dê o discurso que achamos conveniente. E assim o mundo segue o caminho das aparências, do individualismo e pessoas fake.

    A arte sempre foi utilizada para expressar a verdade de cada artista. Talvez, a questão de poder ter um artista de estimação se refere ao fato de que nossa liberdade está sendo cada vez mais podada e que se você quiser ouvir a verdade, está terá de vir de um artista, que não tem nada a perder se falar a verdade neste mundo imaginário do livro.

    Achei top sua resenha e fiquei bem interessada. Fiquei imaginando como seria um filme com este tema! :D

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  11. Olá, tudo bem?

    Que bom que a obra nos traz essa reflexão, isso é bem bacana. Gosto do fato de ser uma sociedade distópica e de se correlacionar com a nossa sociedade. Realmente parece ser uma obra que é um achado demais e já quero muito ler, creio que eu vá gostar!

    Beijos!

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  12. Não conhecia esse seu livro, mas adorei a sua resenha

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  13. Só tenho lido comentários positivos sobre este livro! Já está na minha lista de desejos. Gosto muito dos títulos publicados pela Dublinense, só em janeiro li dois deles <3

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Trate as pessoas da forma como devem ser. E você as ajudará a se tornarem aquilo que elas são capazes de ser (Goethe)

Obrigada pela visita!
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