Degraus de uma  identidade


 
Tudo começou naquele dia onde eu descobri que não havia mais palavras que eu pudesse dizer para me descrever ou ainda descrever aquilo que eu estava sendo. Fui arrebatada do meu eixo, me perdi em algum espaço complexo de meu próprio pensamento. 

Continuei sendo corpo, aparência... Mas minha essência... Eu já não sabia o que era e como era... Fiquei apenas com a saudade de um ser que nem eu mesma, poderia mais conhecer.  E assim,  em tempos escuros me aventurei a subir degraus que se me apresentavam. Por algum motivo eu os havia Descido. Estava de novo no início da partida. Fui seguindo, e como uma criança que começa a andar, me dando conta de que é só praticar, seguir em frente. 

A percepção que tenho não me coloca no meio do caminho. Nem no início, tampouco no final. Quando paro para sentir sou acometida por um frio que percorre toda a espinha e quando chega lá em cima perto da nuca me sopra: -O pensamento é seu! Segue teu foco. 

Não tão logo, mas com alguma, pequena,  sabedoria começo a perceber que não sou mais, porque justamente já estou sendo! Não o que eu era, mas algo diferente! Com outros pensamentos, prioridades, questões... O passado, não se apagou e ponto. Ele está lá para ser lembrado.

Mas há um presente para ser vivido. Um agora. Um hoje que requer atenção e disposição. O futuro, vai depender somente das escolhas de agora e não de um passado onde não se pode mais mexer. 

Respiro! E continuo subindo os degraus. No momento certo tudo há de se esclarecer! Sopra-me de novo o frio na espinha...