Passou por aqui um pensamento brando, mas profundo levou consigo a linha que, solta, desfez os pontos de uma longa ferida deixando-me de novo ao revés da vida. Acredito que por isso eu tenha eu seguido vivendo no talvez. 

Me derramei em um complexo cheio de curvas insanas onde as esquinas davam em nós apertados de crueldade e seguia me perdendo num "tempo-tecido" onde o único a bordar era o meu próprio eu... Aquele que sempre existiu em mim e "talvez" eu desconhece, porque "talvez", não me permitia ver nem viver. 

A questão é que, sendo refén, de mim mesmo, não havia refúgio, abrigo onde pudesse correr e me livrar do que quer que fosse. Já que eu mesmo abria e fechava as pontas nos nós e das portas... Mesmo não querendo, eu era, e ainda sou,  onipresente em meus pensamentos motivo pelo qual me lasco, sem piedade nem dó. 

O tecido se esticava e ao mesmo tempo a ferida rompia... Suas consequências eram doloridas e a alma de tempo em tempo se corrompia e triste desfalecia...

 Foi então, que brigando com minhas próprias emoções consegui avistar o início de um novo nó. Sim, Pois abrindo ou fechando-os era na cegueira que os fazia! Pois foi ali, que encontrei a linha, chamada escolha. Antes de começar a fiar ela me olhou com seu tom mais investigativo e quando se pôs a entrar na agulha falou-me adeus e aos berros me disse -"sou exclusivamente sua!!"

Tudo congelou na teia, até mesmo a abertura na ferida. O eu, que me pertencia e que "talvez" eu ainda não conhecesse me olhou com um ar assustado fazendo-me  perceber que ele carregava mais medo do que eu pensava que sentia.

Medo!  Me-do! A grande palavra que nos põe a viver no complexus do talvez,  imaginei... 

Imaginei! Mas não  pense que mudei, ainda estou aqui olhando para aquele "eu" e ele continua paralisado dentro da teia. Mudança não se faz de uma hora para outra. Ela  também é um estado e, também, requer uma teia.  Precisa ser tecida. |talvez|

Agora ando entre teias distintas. Vivo entre o talvez e a mudança. Criando e desatando nós, fiando sem parar um  tecido chamado vida. A ferida, ainda está lá e aqui, mas aos poucos tenho conseguido curá-la. Hoje com mais cuidado e sem deixar soltas linhas que possam ser, de repente, puxadas. Descobri com a mudança que assim é preciso fazer. 

Porque assim, viver precisa de cuidados. E deixar linhas soltas é o primeiro passo para "talvez" se deixar de viver!