Título: Amor Amargo/ Título Original: Bitter End
Autora: Jennifer Brown
I.S.B.N: 9788582353066
Editora: Gutenberg
Gênero: Literatura Estrangeira / Drama /  Romance
Páginas: 256

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Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado. Até Cole aparecer. Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…

Como começar essa resenha se esse livro mexeu comigo e despertou tantos sentimentos? Com uma sinopse que não explica a grandiosidade do tema, "Amor Amargo" me surpreendeu. Eu comecei adorando a narrativa e me apegando aos poucos a Alex e seus amigos, Bethany e Zach. Eles estavam planejando a viagem ao colorado que significava muito para a garota. A família da menina é ausente, seu pai distante desde a morte da sua mãe e as irmãs não unidas, o que fez com que ela se agarrasse a ideia dessa viagem. Quando Cole, aluno novo, aparece na história fiquei confusa no papel que ele teria na trama, já que julguei que o tema familiar era o principal ponto. Pois bem, eles se conhecem porque ela tem que dar aulas de apoio para ele (o que fazia antes com Zach) e de cara já surge algo entre eles... O que nos envolve totalmente e faz torcer para acontecer. Cole é romântico, fofo, decidido e por que não, bonito? Afinal ele é do time de basquete da escola e logo se tornaria popular. Mas ai é que estava o erro: a trama fica previsível porque claramente ele esconde algo.

Ele piscou para mim, e, de repente, fui tomada por uma onda de ousadia. É para isso que vivemos, não é? falei para mim mesma. Para nos arriscar. Para encarar nossos medos. Não para ser como papai - uma pessoa vazia que voa de um lado para o outro ao sabor do vento, sem lugar algum para pousar. Vivemos para ficar no caminho de alguém vindo a toda velocidade. Para ficar no topo de um vertedouro. Para pular portões com placas de perigo. (Pág. 59)

Em meio ao compartilhamento de suas poesias com o garoto, confissões e piadas internas, o relacionamento se desenvolve. Só que o romantismo e ciúme de Cole têm a mesma medida. As coisas começam a sair do controle, Zach não gosta dele e em um dado momento ele trata muito mal Bethany, o que deixa Alex dividida. Ela passa a estar menos com os amigos e mais com o namorado. O grande problema é que ele não demonstra nenhum tipo de vontade de se dar bem com os amigos dela e aos poucos se mostra agressivo. E aí descobrimos o ponto principal do romance: a violência doméstica.

Ele soltou o meu pescoço e eu desabei no chão, cobrindo o rosto com as mãos enquanto soluçava. Amedrontada demais para correr . Pasma demais para continuar em pé. Machucada demais para ser corajosa, revoltada ou qualquer outra coisa além de arrasada. (Pág. 168)

"Só de pensar, fiquei com o estômago embrulhado e comecei a me perguntar se talvez a história de estar doente não tinha uma pontinha de verdade. Desculpa, papai, eu menti sobre estar gripada. Na verdade, a doença que tenho é a mesma que você: a doença de ficar andando de um lado para o outro como um cachorrinho maltratado, correndo atrás de alguém que é mais louco que uma cabra." (Pág. 50)
Narrado em primeira pessoa, conseguimos ver de perto toda a angústia de Alex. Ao mesmo tempo que ela sabe que ninguém deve tocar nela, o amor por Cole e suas desculpas através de flores a prendem. Ainda há o distanciamento com qualquer um em que ela pudesse confiar para contar o que vive: Beth e Zach estão distantes, a família ela não tem e até a Georgia, chefe da lanchonete que ela trabalha é ocupada: tem uma filha especial. 

Não quero entregar muito, mas Jennifer Brown conseguiu mexer com minhas emoções. Em parte por causa da história e em parte pela forma que ela conduziu. Apesar de apegada no início, depois me vi desmotivada e explico: algumas situações se repetem demais e cansam. Tudo bem que temos a visão da Alex, mas muitas coisas não precisavam estar na narrativa, isso só nos "castigou" mais. Por outro lado, toda a "enrolação" foi o que me fez aguentar até o final e acelerar a leitura. 

A capa é linda e a diagramação do livro muito boa. Recomendo e muito!  Mas, para quem tem estômago. Porque a obra é beeeem realista!


PS: A autora fez Psicologia e ao final, ela dá uma explicação sobre o tema "violência doméstica". Há ainda perguntas e respostas sobre o tema, que pode ajudar muitas pessoas que não sabem/ou vivem nessa situação.

Quem aí já leu ou teve alguma informação desse livro que mexe com as estruturas? 
rs. Beijoos