Olá, pensadores! Hoje eu trago para vocês a resenha do livro Tarântula do incrível Bob Dylan! Que responsa, galera, que responsa!


Quando vi o livro e o autor de cara quis lê-lo, Dylan é um dos maiores compositores americanos das últimas décadas, conhecido por abordar em suas letras de protesto questões como a discriminação racial nos EUA, a guerra no Vietnã e também captar toda a atmosfera de sua época. Soube que rolou um burburinho desnecessário por ele ter vencido o Nobel, o primeiro compositor musical na história a ganhar. Existem pessoas com uma ideia muito fechada acerca das coisas e ter uma ideia fechada não tem nada a ver com arte. Ele é um artista que escreve músicas e música é poesia, é texto, é literatura e literatura é arte e não se fala mais nisso!

Tarântula é o tipo de livro que você lê e pensa caramba, que genialidade, o que dizer? O livro é diferente de tudo que já li! Único e singular!  O próprio Dylan definiu sua obra como:

 “tudo aquilo que eu não posso cantar ou que é longo demais para ser um poema” 

Se ele mesmo não tem uma definição exata do que seja “ Tarântula” quem sou eu para defini-lo. Minhas humildes considerações são:

Apesar de sua brevidade não é uma leitura fácil e o livro nos apresenta como um manifesto proseado poético musical, se é que me entendem. Em se tratando de Bob Dylan não poderia ficar de fora a musicalidade da coisa.




Para mim a revisão da obra está impecável. Editada pela TusQuets Editores e selada por nossa parceira Planeta de Livros com uma diagramação organizada e que facilita nossas leituras. A obra é para  amantes de leituras  complexas e fãs do genial compositor/ autor.

Deixo pra vocês um trecho de: Uma Explosão de O Perdedor Não Leva Nada

“oi pessoal. não tem muita novidade por aqui.
Cantei na convenção vegetariana
Minha musica nova contra a carne. Todos
Curtiram fora os encanadores debaixo do palco. Uma menininha, recém-saída da 
faculdade & acho que presidente da divisão Não Exterminem as Vacas da 
sociedade. Ela tentou me empurrar pra cima de um dos bombeiros.
há um ligeiro inicio de caos, mas você me conhece, eu não entrei nessa nem de leve. eu 
digo, “olha garota, eu vou cantar pra você & tudo isso, mas você não venha me 
empurrar, ta me ouvindo? “já percebi
que eles não vão me convidar de novo
porque eles não gostam do jeito que eu deiem cima da velha do mestre  de cerimônias, mas
no fim, vou levando. fiz uma música nova contra
isqueiros. uma empresa de caixinhas de fósforos
me ofereceu fósforos de graça pelo resto
da vida, além de colocar minha foto em todas as 
caixinhas, mas você me conhece, seria preciso
muito mais que isso pra eu me vender - 
te vejo quando for sair a nomeação 
                            Teu camarada de rebeldia
                             Kid Tigre"


P.s.: Mantive o texto original.


Título: Tarântula
Autor: Bob Dylan
Editora: TusQuets
Editores: Planeta
Páginas: 136
Ano: 2017
Skoob 
Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1971, depois que cópias piratas começaram a circular pelos Estados Unidos, “Tarântula” é uma extensão do trabalho que Bob Dylan apresentou aos fãs ao longo de décadas na forma de canções. É um volume de difícil definição, com uma estrutura que alterna prosa poética e poemas em versos – embora o próprio autor já tenha chamado de romance “tudo aquilo que eu não posso cantar ou que é longo demais para ser um poema”. Dylan escreveu os textos deste livro numa época em que lançava álbuns como Bringing it All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965) e Blonde on Blonde (1966), e apresenta neles a miríade de situações e personagens urbanas e da cultura popular que habitavam então seu universo artístico. 

( Livro cedido pela editora para leitura e resenha)

Mergulhem em Tarântula e nunca mais serão os mesmos leitores!