E aí, estavam com saudades do nosso momento de poesia?


Hoje convido vocês a lerem comigo um poema da saudosa Cecília Meireles. Estou lendo aos poucos a obra Mar absoluto/Rretrato natural, que reúne em um só volume dois livros da autora. ( Mar absoluto e Retrato Natural respectivamente)

Estou sem fôlego diante da profundidade dos poemas que tenho lido. Sabe aquela vontade de sentar e conversar com o autor sobre aquela estrofe, verso? Então, fico muito sentida de não ter nascido enquanto ela estava entre nós pra ter esta conversa. Mas que bom que nos ficam os livros não é verdade? 

Este poema que trago hoje, nos fala um pouco sobre o estar alerta diante da vida e suas intempéries. Espero de verdade que gostem! 


Vigilância

A estrela que nasceu trouxe um presságio triste:
inclinou-se o meu rosto e chorou minha fronte:
que é dos barcos do meu horizonte?

Se eu dormir, aonde irão esses errantes barcos,
dentro dos quais o destino carrega
almas de angústia demorada e cega?

E como adormecer nesta Ilha em sobressalto,
se o perigo do mar no meu sangue se agita,
e eu sou, por quem navega, a eternamente aflita?

E que deus me dará força tão poderosa
para assim resistir todas a vida desperta
e com os deuses conter a tempestade certa?

A estrela que nasceu tinha tanta beleza
que voluntariamente a elegeu minha sorte.
Mas a beleza é o outro perfil do sofrimento,
e só merece a vida o que é senhor da morte 

( Mar absoluto e outros poemas p.24)



O que dizer de um poema tão intrigante e profundo? Não sei minha gente! Estou realmente sem palavras! E sem palavras, vou ficando por aqui. Já ansiosa por nosso próximo encontro para um café poético! 


Até breve!