Acordei com gosto de infância
O silêncio matutino da cidade
Liberou-me os sentidos! 

 
Ouço, nostálgica, 
O som dos pássaros 
Que habitam o terremo ao lado
Desmonto-me! 

É manhã de Primavera!
O orvalho ainda repousa
Líquido nas lindas folhas 
Tornando-as mais belas! 

Meu corpo, cansado do mundo
Enternece diante da lembrança...
E volto àquele lugar secreto, só meu! 
 
Absorta, dou-me conta de que
Há uma natureza incrível
Escondida na barulhenta cidade!

Cerro os olhos!
Navego pelos sons incríveis 
Deste pequeno pedaço de paraíso.

Alguns minutos passados
Já ouço martelos, furadeiras, 
Roncos de motores, tremores...
 
A cidade acordou!
Mas estou leve...
Continuo a ouvir lá longe
o som da natureza alegre! 
 
Lá fora, o mundo se repete! 
Mas aqui dentro,  
Jamais será igual.
 
Pois, os sentidos 
Quando aguçados 
Não se revogam!

Vanessa Vieira
Bz, 23/09/2021