Canto de leitura de uma casa simples

JĂĄ tive a oportunidade de visitar algumas escolas e conversar com crianças sobre meu processo de escrita. Sempre fico encantada com a curiosidade delas, especialmente quando perguntam: “Mas por que vocĂȘ escreve?”

No começo, eu respondia simplesmente que era porque gostava. E era verdade. Mas, com o tempo, percebi que havia algo a mais. Escrever, para mim, Ă© mais do que gostar: Ă© uma forma de estar no mundo. É como se existisse uma delicadeza no olhar que insiste em buscar sentido nas coisas pequenas, uma sensibilidade que me convida a enxergar para alĂ©m da superfĂ­cie.

Costumo dizer que eu tento ver o que estĂĄ alĂ©m da existĂȘncia natural das coisas. No corre-corre dos dias, mal notamos o canto dos pĂĄssaros nas primeiras horas da manhĂŁ. Muitas vezes, passamos por flores que desabrocham na calçada sem sequer percebĂȘ-las. Mas hĂĄ poesia ali.

HĂĄ poesia no cotidiano, mesmo quando tudo parece cinza.
No som da chaleira que apita, no barulho da chuva que toca a janela, no abraço apressado de quem ama, no cheiro do pão recém-assado que atravessa a rua e nos leva de volta à infùncia.

Confesso: não é fåcil manter esse olhar atento. Exige pausa. Escuta. Coração aberto. Mas foi esse movimento, de parar, ouvir, reparar nas entrelinhas da vida, que me sustentou em muitos momentos difíceis.

A poesia, para mim, não estå apenas nos versos. Ela se espalha nas coisas simples, naquilo que a maioria esquece de ver. Estå no cotidiano, disfarçada de rotina, esperando por um olhar curioso que a revele.

Encontrar poesia no cotidiano Ă© como acender uma luz em meio Ă  pressa,
 Ă© lembrar que ainda hĂĄ beleza, mesmo nos dias comuns.

E vocĂȘ? JĂĄ encontrou poesia hoje?

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