Há alguns meses compartilhei aqui algumas pesquisas que venho realizando sobre o letramento e seus desdobramentos na escola. Confesso que tenho tido boas oportunidades de pensar sobre o tema e, por ser algo tão importante, resolvi trazê-lo novamente para o Pensamentos, espaço dedicado a refletir sobre a literatura e os sentidos que ela produz em nós.
Como conversamos outras vezes, o letramento diz respeito aos sentidos que atribuímos à leitura e à escrita quando as utilizamos em nosso cotidiano. Em outras palavras, quando percebemos sentido no uso social da linguagem, interpretamos textos, fazemos inferências, argumentamos, nos movimentamos no mundo. No fundo, estamos diariamente em contato com o texto e com a leitura.
É fato que a escrita foi uma invenção humana e, portanto, exige que treinemos em nós mesmos uma habilidade para a qual não estávamos naturalmente predispostos. Esse movimento em que precisamos enviar mensagens ao cérebro para que ele compreenda que é hora de ler e que, para isso, precisamos nos concentrar, a pesquisadora contemporânea Ana Erthal afirma que dói. Sua conclusão é direta: ler dói.
Talvez este seja um dos motivos pelos quais ler e, por consequência, escrever nos pareçam tarefas difíceis e, por vezes, dolorosas. Ainda assim, isso revela algo essencial: não podemos deixar de tentar, afinal trata-se de um exercício que nos movimenta.
Quando evitamos esse esforço, tendemos a buscar leituras mais leves. Se nos aprofundarmos um pouco mais nesse tema, perceberemos que, embora estejamos constantemente conectados ao texto e à leitura, grande parte dessa conexão acontece por meio das telas. E, diante dos estímulos que a tecnologia nos oferece, mesmo cansando os olhos, esse tipo de leitura pode parecer mais confortável ao cérebro, pois não lhe exige tantos deslocamentos de atenção.
É legítimo reconhecer que as tecnologias permeiam nossa existência e têm função importante em nosso fazer diário na sociedade, ampliando formas de acesso ao conhecimento e criando novas linguagens de interação com o mundo. Trata-se de um tema com muitos desdobramentos, que nos conduz a inúmeras reflexões. Precisamos, portanto, aprender a lidar com todas as possibilidades que esse cenário nos propõe, compreendendo que cada suporte de leitura ocupa um lugar distinto em nossa experiência leitora. Abandonar o livro físico pode não ser o melhor caminho; talvez essa leitura ainda seja uma das melhores escolhas para continuarmos aprofundando nossa existência crítica, criativa e produtiva neste mundo.
O que você pensa sobre este tema? Me conte nos comentários.
Para ler e compreender mais sobre o tema:
Comparação do desempenho de leitura na tela e no papel: Uma meta-análise
Sedentarismo Cognitivo de quem não lê - Podcast com a Ana Erthal






7 Comentários
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ResponderExcluir.
Fim de semana muito feliz
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Excelente reflexão! A leitura nos desloca. O letramento nos conduz!
ResponderExcluirtem tempo q eu tenho feito o letramento. sigo instagrams importantes q sempre dão informações, leio livros diversos. eu gosto de ficção, mas escolho livros de autores diversos, de vários países. como vc disse, é um esforço e um eterno aprendizado. beijos, pedrita
ResponderExcluirÓtimo seu texto. Lembro com saudade, de quando era pequeno, eu lia muito, não só os livros d escola, mas também quadrinhos, recortes de jornais, revistas em geral, isso contribuiu muito para que eu gostasse de escrever.
ResponderExcluirExcelente Vanessa, que tema envolvente e necessário!!
ResponderExcluirEu também estou com muito mais dificuldade de me concentrar na leitura de um bom livro desde que a internet se tornou maciça, roubando nossa atenção e dificuldade a profundidade. Mas é preciso ler para saber escrever!!
Ler demanda que o nosso cérebro se esforce e crie conexões!!
Adorei a sua reflexão querida!!
Aproveito para desejar um lindo restante de semana!! :))))
Cada vez se lê menos infelizmente.
ResponderExcluirIsabel Sá
Brilhos da Moda
Olá, Vanessa querida, um tema sempre excelente para refletirmos.
ResponderExcluirSaudades daqueles anos em que os livros eram exigidos nas escolas,
depois a coisa foi degringolando para os jovens, acompanhei isso com
meus filhos e fiquei com pena daquela fase escolar deles não ser a minha.
Mas como meu pai, além de sua profissão era também escritor, e meus tios
também, eles foram pelo caminho dos livros, É lógico que eu também leio na telinha,
mas não livros. Livros gosto de senti-los. Ter hora para eles. Temos uma boa biblioteca,
e passamos isso para nossos filhos, também.
Adorei te ler, um ótimo fim de semana, querida!
Beijo.
Olá querido leitor! Seja bem-vindo ao Pensamentos Valem Ouro, temos aqui um espaço aproximar nossas redes e trocar ideias. Ficarei feliz em ler tua ideia. E sempre farei questão de respondê-la! Fique a vontade!
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Vanessa Vieira <3