Resenha: A vila do silêncio e outros absurdos - Leandro Coelho

Título: A vila do silêncio e outros absurdos
Autor (a): Leandro Coelho
Editora: Itacaúnas
Ano: 2016
ISBN: 9788568154526
Páginas: 336



Sinopse: Trata-se de um livro com seis contos.
Uma vila esquecida nas densas florestas siberianas, cujos habitantes mantém uma intrigante filosofia de vida, recebe a visita de um intrigante forasteiro. Um jovem poeta se vê às voltas com uma angustiante escolha, adentrando numa torturante viagem através de um mar de dúvidas. Um inocente retirante parte em busca de seus sonhos, mas os vê destroçados por uma trama de mentiras. Uma idosa solitária em conflito descobre a verdade cruel que se esconde por detrás de suas ilusões; Um comilão compulsivo percebe, horrorizado, que uma paixão desenfreada pode tornar-se o pior de seus pesadelos. Um jovem mochileiro vê sua viagem dos sonhos transformar-se num emaranhado de dramas e experiências reveladoras nos confins do território selvagem da Austrália, encontrando muito mais do mortíferos animais.

Gosto muito de livros que me surpreendem e que vão além daquilo que eu esperava, foi exatamente esse o motivo pelo qual estou admirada com A vila do silêncio. O subtítulo do livro, a princípio foi ignorado por mim, no entanto, no decorrer da história, percebi que faz todo o sentido.

A vila do silêncio e outros absurdos é composto por seis contos baseados um pouco em situações vividas pelo autor, Leandro Coelho. Um pouco porque em sua maioria são tão absurdos que não seria possível acontecer na vida real, mas alguns nomes, viagens, história que alguém contou foram reais e fazem parte da vida do autor.


O primeiro conto, que nomeia o livro, trata de um estranho em busca de um lugarejo e que, ao se perder, acaba por encontrar a si mesmo e um caminho para sua vida. Acontece que ele vai parar em um local bastante isolado e com um costume completamente diferente do que já viu por aí. O palco do enredo é congelante, contemporâneo a Stalin, e as pessoas que vivem na vila se comunicam apenas através da escrita. O motivo de tal costume é contado pelo ancião, que vive no local, ao longo da história e ele mostra um pouco sobre o convívio e como é possível se inserir, mas muito difícil retirar alguém de determinada cultura.
"O forasteiro teve vontade de questionar a jovem a razão de todos se comunicarem através das lousas, mas não teve coragem de fazê-lo na frente de todas aquelas pessoas. Seria embaraçoso demais, talvez indelicado."
Em "Horas Extraordinárias", segundo conto, nos deparamos com a inocência e malícia humanas. Chiquinho, um cara simples, que deseja vencer na vida e ajudar sua mãe a ter uma vida melhor, recebe a "ajuda" de um advogado muito bem sucedido. Algo que não vemos com frequência, mas que é tão comum, pessoas sendo exploradas por não terem condições de mudar a situação. O medo de voltar à estaca zero e dormir nas ruas e logo em seguida a decepção de ter trabalhado anos sem nenhuma recompensa, com um final trágico.


Temos ainda os contos "Títulos", "A escolha", "Feijão com cachaça" e "Meteoritos azuis". Todos possuem muito dos absurdos citados no título do livro, mas se eu te disser o quão maluco é, talvez você nem acredite. Já pensou que toda a comida ingerida por você pode trazer péssimas consequências como fazer você transpirar cerveja? E sair feijão do seu ouvido? São apenas algumas das várias coisas que acontecem com Jambão. Lembrou bastante a escrita de Kafka.
"É óbvio que se o experiente cirurgião estampasse no papel a verdade dos fatos e fizesse constar “morte por esfacelamento de petit gâteau com perda aguda de calda de chocolate”, na melhor das hipóteses teria seu registro no Conselho de Medicina cancelado."
"A escolha" me fez recordar Um conto de Natal de Charles Dickens. Acontece que aqui dois fantasmas vêm atormentar a escolha imposta pelo pai do protagonista. Mesmo sendo histórias diferentes, a todo momento martelava na minha cabeça se o escritor não teria se inspirado em Dickens. O quarto conto traz uma reflexão sobre escolhas pessoais e a dificuldade de impor algo à alguém.
"Lembre-se que o extremamente rico pode ser tão miserável como o extremamente pobre, e que na vida, o progresso da alma é mais importante que o sucesso."
Trago atenção especial ao conto "Meteoritos azuis". No posfácio, o autor fala que essa foi uma história real, com algumas alterações. Ele realmente trabalhou em uma fazenda da Austrália e conheceu um cara chamado Ned, mas o que me surpreendeu é que, apesar de ser a história mais próxima do real em comparação às demais, não deixa de ser absurda. O tratamento recebido por Bernardo é totalmente fora do real, mas, que ainda assim, é fácil de acontecer. Achei o melhor conto do livro. Por fim, gostaria de acrescentar que "Títulos" daria um ótimo filme distópico e senti muita pena de Cristine já que ela acredita que em um mundo onde apenas o material importa, vai surgir algum sentimento de reciprocidade.


Sobre o autor:

Leandro Coelho é natural do Rio de Janeiro. Dono de um espírito inquieto e sedento por experiências, já foi advogado, professor de inglês, concierge, recepcionista, garçom e mágico amador, sem mencionar seus ensaios - obviamente fracassados - como pintor de telas, barman, pescador, comissário de bordo, boia-fria e caçador de ratos na infância. O amor pela aventura o levou a vários lugares incríveis do mundo. É autor das obras "A Vila do Silêncio", “No mar das trevas” e “As meninas de vestido branco”, sendo que as duas últimas ainda serão publicadas; cofundador do grupo de cinema Cinéfilos Malditos, hoje contando com mais de 12.000 membros. No ano de 2015, o conto "Títulos" de seu livro "A vila do silêncio e outros absurdos" foi adaptada para o teatro pelo grupo Achados e Perdidos, do curso Pé no Palco, na cidade de Curitiba.

Até a próxima!

Comentários
8 Comentários

8 Comentários:

  1. Oi, achei sua resenha bem escrita e adoro livros de contos e fiquei interessada em ler esse, pois contem poucos contos e todos parecem ser primorosos e bem instigantes e com potencial de serem transformados em historias. Dica anotada.
    bjus

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    1. Muito obrigada, fico feliz com o feedback <3
      Eu também amo contos, acredito que você va gostar desse

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  2. Não curto ler contos,aliás, não sou fã de nenhum tipo de texto curto porque normalmente não consigo me envolver, então o livro acabou não chamando a minha atenção. E achei isso de sair feijão do ouvido nojento, melhor nem imaginar muito... Hehe... O fato de contar coisas absurdas acho que faria eu me envolver menos ainda.

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  3. Oi, Nessa!
    Resenha linda, bem escrita e detalhada! Adoro um livro de contos, esses em especial me despetaram muito a atenção, justamente por ter os fatos absurdos! Achei bem intrigante e adoraria tentar adivinhar o que fez realmente parte da vida do autor e o que é ficção. Vou procurar mais sobre ambos! bjs!!

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  4. Todos parecem bons, mas gostei mais da descrição do "Horas Extraordinárias" porque parece ser o que tem mais enredo psicológico e drama humano. Concordo com a Nuccia, sua resenha está muito bem escrita e detalhada. Parabéns!!!

    Abraços

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  5. Olá, adorei a resenha e estou louca para conferir essa olha, e olha que eu nem conhecia...mas como adoro o gênero, já quero!

    Abraços

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  6. Nossa adorei a ideia desse livro, você me deixou super curiosa para ler, aquele da louza eu fiquei matutando o pq e foi maldade não dizer :(
    Vou deixar bem anotada essa dica, seria um prazer ter oportunidade de ler.

    Beijos!

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  7. Ual! Parece bem interessante!
    Uma resenha ótima! E com certeza quando eu tiver oportunidade irei ler!

    Obrigada! Beijos!

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