Título: Mulheres fatais
Organização: Rô Mierling
Editora: Illuminare
Ano: 2017
Número de páginas: 64


Sinopse: Mulheres policiais, detetives, sociopatas, psicopatas, envolventes, sedutoras e mortais. Quem nunca ouviu falar dessas mulheres? Vamos contar histórias de mulheres que são ou foram fatais.

A Antologia Mulheres fatais publicado pela editora Illuminare e organizada por Rô Mierling. A coleção é fruto de um concurso de seletiva de contos, realizado pela editora no mês de fevereiro.

Contos! Não me canso de dizer o quanto sinto um prazer inenarrável de os ler. Por  também os fazer, obviamente que não tão exuberantes como os desta obra, é como se houvesse uma conexão com os autores, com a escrita, com os fatos. E, sem dúvida, a antologia a qual resenho é um composto muito bem selecionado de contos arrepiantes e de tirar o fôlego.

Ah! As mulheres! Desde os primórdios marcando a história do mundo, lutando e conquistando seu espaço.  Fatais, em todas as formas, de todos os jeitos (sejam eles bons ou cruéis). E através das palavras de cada um desses contos, encontramos as várias formas fatais que uma mulher pode se apresentar, tantas vezes cruéis e sádicas.

"Deve-se temer mais o amor de uma mulher do que o ódio de um homem. (sócrates)"

Juro a vocês, leitores, que mesmo com o título evidenciando sobre o que se trataria, o conhecimento quanto a temática, eu jamais esperaria que fossem tão arrepiantes. Os respectivos autores tomaram mínimos cuidados de expor, descrever, explicitar a crueldade, nos contos de tais caráter. Conseguiram deixar o mais evidente possível os acontecimentos, sórdidos e patológicos, de forma a alimentar a imaginação e dar até um breve terror em meio à leitura.

Há um ponto interessante a ressaltar. É fato e consequência que ficamos tensos com leituras do gênero. Mas, houve uma breve interrupção do "peso da leitura" quando, em um conto intitulado "Roubos", onde há já a expectativa do leitor de que vá ser como os outros e de repente, se é surpreendido. 

Não querendo dar spoiler sobre o conto, mas o roubo é, efetivamente, fofo e refere-se ao coração de um alguém, pelo amor ao filho. Assimilei essa parte como uma pausa posta inteligentemente na composição da obra, que dá uma "quebra" de clima e tensão que vinha presente, e traz aquele fator surpresa na leitura. 

"Estava no último período da faculdade de gastronomia. O resultado da autópsia, emoldurado num belo quadro da sala de estar, aponta a causa da morte como desconhecida."

Tenho que conciliar a um aspecto pessoal, que coincidentemente acabou adentrando à temática do conto. No Curso Direito em uma das aulas abordamos quanto aos aspectos patológicos frutos dos sentimentos que levam ao cometimento de atrocidades. E eu, ao ler o livro, não conseguia tirar essa ideia da cabeça. O real ali presente de personagens modalizados por sentimentos irreais, mas que em seus respectivos momentos, enquanto dominados pelo phatos, veem seus atos como verdades, como certos. Tira-se isso quando em um dos contos, a motivação é única e exclusivamente cometer o assassinato pelo fato de uma personagem achar que os outros fofocavam demais.

"Chegando em casa, juntou a língua com as outras da coleção...
- Agora são menos seis fofoqueiros na cidade..."

É, por fim, extremamente interessante que na maioria dos contos há o fator do inesperado quanto a narrativa começar naquele aspecto de estar tudo bem e tomar o caminho para os fatos bárbaros e fatais em seus meios e no fim, dando aquele choque de acontecimentos a quem está lendo.

Se você, assim como eu, gosta do gênero, não tenho a menor dúvida em indicar essa antologia. Tenho certeza de que você também irá se apaixonar.

Beijos