Corria tudo bem, eu estava quase chegando àquele momento perfeito... Mas senti o tal frio na espinha e fui obrigada a parar no meio do caminho. Sentada ali sobre aquela pedra revirei minhas memórias procurando entender o desespero que sorrateiramente me assolava. Não havia causa nem medo aparente... Tudo o que eu tinha de concreto era o paralisante frio na espinha...

Estava entardecendo, e eu não poderia ficar parada ali por muito tempo. Havia muito chão pela frente e mesmo a noite sendo bela, há alguns lugares em que a caminhada durante o dia é mais seguro...

Mas se consegui dar dez passos foi muito, tive que me ajeitar e deitar ali mesmo. Agora estava imóvel... Nem para frente, nem para traz... Apenas um céu cheio de estrelas que aos poucos ficavam mais nítidas e, de alguma forma, assustadoras.

Como já não estava no caminho do caminho decidi ficar por ali mesmo, ou melhor, tive que ficar por ali. Observar a noite e ver se aquela estranha situação se dissolvia com um pouco de descanso e reflexão.

Dormi, sonhei, tive pesadelos mais do que horríveis... E em todos eles me sentia com o frio na espinha. Seria agora um carma? Era só o que me faltava... Depois de tanta luta uma sequela nada agradável.

Entre sonho e pesadelos me encontrei com o tal frio que me agora me perturbava a mente, ele me sorria sarcasticamente. Estava longe, eu quase não podia ouvir sua voz, mas em algum momento chegaram aos meus ouvidos as suas palavras: - "Só depende de você a minha partida... Me liberte! Ande, acorde! Me liberte!"

Acordei assustada e dei um salto, cai de cara na areia perto da pedra onde eu havia me deitado. Descobri que o frio na espinha era o medo, aquele que naquela tarde eu já tinha procurado. Só que este medo era um medo sem nome. Ou melhor, chamam-no por ai de receio...

Quando me dei conta disso e percebi que era tudo ou nada, decidi seguir meu caminho mesmo com o tal frio na espinha! Ele que perturbasse o quanto quisesse. Eu não ia parar por causa dele. 

Mas lá na frente quando estava perto do rio me despertei dos meus pensamentos e vejam só! O frio tinha partido, só me ficou a espinha. Atravessei o rio e segui o meu destino.

Vanessa Vieira
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Projeto Mais que palavras| Tema: Medo