Primeiro livro escrito por Kiera Cass e lançado de forma independente nos Estados Unidos em 2009. Depois do sucesso com A Seleção, agora ela relança sua história.

Título: A Sereia
Autor (a): Kiera Cass
Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788565765930
Páginas: 328


Anos atrás, Kahlen foi salva de um naufrágio pela própria Água. Para pagar sua dívida, a garota se tornou uma sereia e, durante cem anos, precisa usar sua voz para atrair as pessoas para se afogarem no mar. Kahlen está decidida a cumprir sua sentença à risca, até que ela conhece Akinli. Lindo, carinhoso e gentil, o garoto é tudo o que Kahlen sempre sonhou. Apesar de não poderem conversar — pois a voz da sereia é fatal —, logo surge uma conexão intensa entre os dois. É contra as regras se apaixonar por um humano, e se a Água descobrir, Kahlen será obrigada a abandonar Akinli para sempre. Mas pela primeira vez em muitos anos de obediência, ela está determinada a seguir seu coração.

A Sereia trás uma história bem diferente das lendas a que estamos acostumados sobre as sereias. Apesar de conhecer o básico das histórias e a forma como elas atraem os homens para a água, posso dizer que nunca havia lido algo parecido a respeito.

Ainda assim, achei a história interessante. A Água precisa se alimentar de tempos em tempos e para isso transforma meninas normais em sereias, mas não é algo tão simples. Não existe um método e a escolha é bem aleatória, mas a menina precisa querer viver e pedir isso da forma mais sincera. A Água tem o poder de fazê-la viver, mas em troca, pede que A sirvam por 100 anos, sem envelhecer, ficar doente ou mesmo se machucar. Entretanto, durante esses anos, elas precisam cantar para alimentar a Água com as vidas das pessoas que naufragam enquanto ouvem suas vozes.

Sem dúvida, quem leu a série A Seleção, vai encontrar aqui algo bem menos emocionante, mas que mostra o amor de várias formas diferentes. Foi exatamente isso que me fez gostar muito de A Sereia. Não sei explicar bem, mas a sensação de paz que o livro me trouxe foi estranho e engraçado.

Kahlen, Miaka, Elizabeth e Aisling são irmãs e a Água é a mãe delas. Kahlen foi a única sobrevivente de um naufrágio que ocorreu nos anos 30, mas apesar de poder continuar vivendo, não se sente feliz sabendo que é uma assassina. Seu maior passatempo é recolher informações sobre as vidas que tirou. A história se passa oitenta anos depois de ela ter sido acolhida.

Kahlen passa a maior parte do tempo na biblioteca de uma universidade na Flórida, onde é a atual residência dela e de suas irmãs. Na biblioteca acaba conhecendo o garoto perfeito para ela que se chama Akinlin, mas como sua voz é mortal, ela precisa se passar por muda e se comunica apenas por sinais e/ou escrita. Akinlin consegue enxergar além de sua beleza física e os dois se comunicam perfeitamente. É como se estivessem destinados um para o outro. Apesar de o romance entre Kahlen e Akinlin ser o foco do livro, a história não fica só aí. Eles se encontram poucas vezes na verdade.

Em poucas palavras, Kahlen e Akinlin não vão sobreviver longe um do outro, mas a Água não permite essa relação e os motivos ficam muito bem explicados. Miaka, Kahlen, Elizabeth, Aisling e mais tarde, Padma são muito apegadas e se amam muito. Protegem umas às outras e você consegue sentir isso na leitura. O amor da Mãe pelas filhas também é inegável, apesar do medo das filhas pela mãe. Não se resume ao romance entre dois jovens.

Vi muitas críticas à história e sobre o quanto ela é ruim comparada à A Seleção, mas se você olhar como o primeiro livro escrito por Kiera verá que é uma história bastante original. Sereias se relacionarem com seres humanos, apenas com a proibição de falarem perto deles, e levarem uma vida quase normal para mim é inovador. Elas cantam para atrair vidas; não só homens. A ideia de que a Água precisa se alimentar e por isso ocorrem acidentes com navios? Achei interessantíssima. A própria Água tem vida e fala. Além, claro, de todas as reviravoltas que acontecem não só com Kahlen. Enfim, certamente se você abrir sua mente e der uma chance, vai adorar a história de A Sereia. Aliás, é o primeiro de uma série, então vamos torcer para que a escritora capriche nos próximos, certo?