Malas de viagem e um copo de café, Pensamentos Valem Ouro

Quem viaja constantemente sabe que, no aeroporto, o valor das coisas vai lá nas alturas. Uma água que na rua você compra por R$ 4,00 lá dentro passa a valer R$ 10,00. Chega a ser absurdo, mas este não é o tema sobre o qual eu falarei hoje.

A questão é que, em minha última viagem, eu esqueci de colocar algumas coisas na mala. Normal, eu sempre esqueço mesmo. Mas desta vez eu esqueci o principal: o livro. Deixei para colocar na bolsa perto da hora de sair, para ficar mais fácil de pegar. Afinal, eu ficaria cerca de quatro horas esperando para embarcar, então valia a pena levar aquele livro que eu queria muito ter um tempinho para ler. A situação era perfeita. Mas atrasei uns minutinhos a saída de casa e esqueci de pegá-lo.

Quando cheguei ao aeroporto, decidi ir logo para a área de embarque. Ainda tinha tempo, mas queria um lugarzinho para sentar e lembrei-me do bendito do livro. Neste momento, eu estava passando perto de uma livraria. E foi aí que minha briga interna começou.
"Você está maluca? Vai entrar em uma livraria no aeroporto? Tudo caro!" Ao mesmo tempo, pensava: "Eu só vou olhar, não vou comprar..." "Mas vai que tem algo baratinho..." Resumindo: eu entrei. É difícil explicar, mas quando a gente entra numa livraria a gente meio que mergulha nas capas e vai para outro universo.

Dessa vez, eu fiquei ali no limite entre o universo das capas e a realidade do meu bolso. Mas quando me deparei com a capa do livro Chocolate Quente às Quintas-feiras, de Michiko Aoyama, eu me rendi. Foi impossível não soltar a corda da realidade para o mundo da fantasia. E fui arrebatada de vez quando li a descrição da obra.

livro Chocolate Quente às Quintas-feiras, de Michiko Aoyama
Arquivo pessoal

Antes de me dirigir ao caixa, bateu aquele resquício de realidade. Dava para saber que, aqui fora, ele seria alguns reais mais barato, mas a urgência por aquela leitura não me deixou esperar.

Hoje, eu sei que teria economizado cerca de R$ 20,00. No entanto, cada centavo extra valeu a pena. Antes de me aprofundar nas páginas na área de embarque, eu era uma pessoa; a que se levantou para seguir viagem, após mergulhar nesta leitura, era outra completamente diferente. E isso que ainda me faltam algumas páginas para o fim.

Deixarei os detalhes da obra para um momento só dela, mas fica aqui o meu aviso: Não arrisque comprar um livro no aeroporto, a menos que você esteja pronto para uma grande e imediata mudança!

E você, já comprou um livro no aeroporto!?