Resenha: Mosquitolândia - David Arnold

Título: Mosquitolândia
Autor: David Arnold
Editora: Intrínseca
Ano: 2015

Resumo:"Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente. Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demônios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade. Com uma narrativa caleidoscópica e inesquecível, Mosquitolândia é uma odisseia contemporânea, uma história sobre as dificuldades do dia a dia e o que fazemos para enfrentá-las." (Fonte: Livraria Cultura)







Mary Iris Malone (a.k.a. Mim) tem 16 anos de idade e não está ok. Na verdade, ela está bem distante disso: seus pais se divorciaram, ela se mudou para o outro lado do país deixando sua mãe para trás, teve de engolir o novo casamento do pai e, ainda por cima, lidar com o fato de sua mãe misteriosamente ter deixado de se comunicar com ela há algumas semanas. 

Ao escutar uma conversa entre o diretor da escola, seu pai e a (quase certamente má) madrasta, Mim descobre que sua mãe está doente. Sem pensar duas vezes, a garota vai para casa (que não é um lar), pega as economias da madrasta, uma mochila preparada nas carreiras e arreda o pé para perto de sua mãe. Começam assim as aventuras dessa menina, a qual precisa superar cerca de mil milhas para segurar a mão materna nessa hora tão difícil. 

Mosquitoland é uma obra muito interessante, por tratar de vários temas delicados de maneira bem-humorada e, eu diria até, poderosa. Nas páginas desse livro vemos serem abordadas temáticas como abuso sexual, divórcio, doenças mentais, famílias não tradicionais, suicidio e orientação sexual. Mas nem tudo são tristezas: o primeiro amor e a amizade também fazem uma participação em Mosquitoland.

Além de trazer uma gama de assuntos delicados, Mosquitoland conta com uma protagonista super peculiar. Mim é cega de um olho (mas jamais disse isso a ninguém), tem um problema que a faz vomitar nas horas mais imprevisíveis, sofre de transtornos mentais e tem um comentário inteligente na ponta da língua afiada sobre qualquer coisa que aconteça debaixo do céu. Mesmo que o leitor não se sinta particularmente identificado com Mary Iris Malone, a personagem provoca interesse e faz com que desejemos seguir sua história, a qual tem reviravoltas por vezes bizarras, mas geralmente reveladoras.

O fato de Mim se considerar diferente dos outros adolescentes (aos quais ela chama de Genéricos) me irritou um pouco no início, pois, no fim das contas, ela só estava se colocando acima das outras pessoas, se achando melhor, e eu detesto pessoas arrogantes. Mas lembrei da minha adolescência, de quando eu mesma usei esse mecanismo de defesa para não me sentir inferior por não ser uma garota popular, ou não ser uma das pessoas tidas como mais interessantes. Então, ao ver um pouco de mim na Mim (rá, mim/Mim! Sacaram?! Certo, eu sei, foi ruim, mas eu não podia ter perdido a oportunidade), a compreendi mais e, se não perdoei sua petulância, ao menos a vi com outros olhos. 

Como li em uma resenha online, às vezes você tem vontade de bater na Mim. Nem sempre suas atitudes são espertas ou até mesmo legais. Apesar disso, não dá vontade de abandonar o livro. Queremos chegar ao final dessa jornada juntamente com a personagem, acompanhar a concretização de seu objetivo e o crescimento pelo qual ela tem de passar. Confesso ter me irritado um pouco com certo detalhe do fim (sobre o qual não falarei para evitar spoilers), mas ainda assim indicaria Mosquitoland para qualquer um que goste de "coming-of-age novels". Ah, minha gata também indica esse livro, mas por motivos diferentes. Ela o achou supergostoso e só parou de comê-lo (muito indignada, diga-se de passagem) porque eu interferi. 😓

Comentários
6 Comentários

6 Comentários:

  1. Chocada que sua gata quis comê-lo, meu Deus, que dó! hahaha
    Olha, eu já tinha perdido as esperanças com esse livro por ter lido coisas não tão boas sobre ele, mas agora estou interessada novamente. YA não tem sido meu gênero favorito nesses últimos tempos, mas esse, assim como Simon (conhece?), me parece muito interessante. Acho que darei uma chance :)


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  2. Oii..
    To aqui imaginando os verbos conjugados nesse livro. "Mim não viu", "Mim não falou", "Mim correu". Kkkkk
    Eu já vi esse livro em algum lugar, mas nunca soube do que se tratava. Eu achava que era sobre mosquitos mesmo. Kkkkkk Achei interessante a história.
    Beijos.

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  3. Sua gata comeu o livro? rs... Meus gatos aprontam muito, mas aprenderam que meus livros são MEUS livros e eles que não se atrevam a chegar perto! hahaha... Não sei se ia perdoar essa petulância da Mim nem se ia conseguir vê-la com outros olhos, não sei se é leitura para mim (que difícil lidar com esse nome da personagem... rs...).

    Beijo.

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  4. Ei, meninas!
    N sei se rio mais da piadinha mim/Mim ou da gata faminta!... Vai ver o livro tinha um gosto especial pra ela... Gostei de ver que o livro tem uma história edificante por trás desse título estranho pra danar (aliás, é explicado pq essa escolha?). Também lembro da minha adolescência, em que eu me achava diferente dos outros, eu me recusava a seguir modas e tendências, não gostava de ser popular, mas sempre chamava a atenção por não ser... vai entender?! Então, acho que faria como você, respiraria fundo. Gostei muito do texto! bj!

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  5. Olá... tudo bem??
    Não me interessei pelo livro não... fora que tem muito cara de sick lit e eu não curto essa temática em livros... foram que pela descrição da personagem acho que eu iria me irritar demais com ela, então prefiro não arriscar... mas a sua gata é bem sapeca... comer o livro haha... Xero!

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  6. Oi Flávia e Vanessa, suas lindas, tudo bem com vocês?
    Esse é o perigo de se esconder informações dos filhos. Acho que precisamos sempre ter diálogo aberto, não importa o assunto. Olha o perigo dessa viagem que ela vez sem o conhecimento de ninguém. O livro parece ser interessante, abordando assuntos muito sérios. E esse título é bem diferente, risos... Sua resenha ficou ótima!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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