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Conto, crônica e ensaio: entendendo as diferenças na escrita

 "Isso que escrevi é um conto, uma crônica ou um ensaio?"

Quem escreve, em algum momento, já se fez essa pergunta, 
mesmo que em silêncio.
 
Conto, crônica e ensaio: entendendo as diferenças na escrita
 
 Mas esta pergunta é bem comum e costuma aparecer principalmente quando se começa a escrever cedo, momento em que a escrita está em fase de descobertas. Nesse início, nem sempre sabemos nomear o que fazemos, comigo foi bem assim, apenas escrevemos. É uma fase boa, mas também é confusa.

Atualmente, acredito que esta dúvida seja ainda maior. Vivemos cercados por textos de todos os tipos, circulando em blogs, redes sociais, livros, revistas, espaços digitais e impressos. A diversidade é enorme. As fronteiras, cada vez mais sutis.

Dentro desse cenário, conto, crônica e ensaio caminham muito próximos. São gêneros que dialogam entre si, se tocam, às vezes até se misturam. E quando não conhecemos as características de cada um, fica realmente difícil distinguir e, mais ainda, entender o que cada texto pede de nós enquanto escritores.

Saber reconhecer essas diferenças não é uma exigência acadêmica nem um gesto de rigidez. Neste momento entendo que seja  um gesto de consciência. Um modo de escutar melhor o próprio texto e deixá-lo existir. 

O conto: quando a ficção se concentra 

 

Como apontam teóricos do gênero como Edgar Allan Poe e Julio Cortázar, o conto é uma narrativa que se constrói pela concentração e pela economia. Ele não se espalha: se concentra. Nada sobra. Cada palavra sustenta o efeito do texto, e muitas vezes o que mais importa é aquilo que não está dito, mas apenas insinuado.

O conto é uma narrativa ficcional curta, mas intensa. Trabalha com poucos personagens, um conflito central e um recorte preciso do tempo. Nada está ali por acaso. Não precisa contar uma vida inteira — basta um instante decisivo, uma virada, uma revelação. É o gênero do silêncio entre as linhas. Daquilo que não é dito, mas pulsa.

Exige técnica, atenção e rigor.
É breve, sim — mas nunca simples.

 

 Conto o Gato preto - Edgar Allan Poe


A crônica: o cotidiano que pensa 

 


Como aponta Antonio Candido, a crônica é um gênero ligado à vida ao rés-do-chão, ao cotidiano que parece simples, mas carrega densidade humana. Em Rubem Braga o texto cronístico transforma o banal em pensamento, revelando que a crônica não apenas narra o dia a dia — ela o reflete.

A crônica nasce do dia comum. Do ônibus atrasado, da conversa ouvida ao acaso, da memória que insiste, do gesto pequeno que revela o mundo. Ela pode ser real ou levemente ficcional. Não exige enredo fechado, nem personagens complexos. O que sustenta a crônica é o olhar do autor. É um texto que conversa, observa e reflete. Às vezes emociona, às vezes ironiza, às vezes apenas passa — como passam os dias.

Profundamente ligada ao tempo presente, a crônica lê-se hoje e sente-se agora. Amanhã, talvez seja outra. Ela não grita. Sussurra verdades.

 Crônicas de Rubem Braga

 

 O ensaio: quando a escrita pensa em voz alta

 

Como propõe Michel de Montaigne, o ensaio é o território da reflexão. Em seus Ensaios, Montaigne inaugura uma forma de escrita que não busca respostas definitivas, mas o exercício do pensamento, uma escrita que experimenta, testa, observa e retorna sobre si mesma. No ensaio, o centro não é uma história, mas uma ideia em movimento.

Pode ser pessoal, crítico, literário ou acadêmico. Pode nascer da experiência, do estudo, da leitura ou da observação do mundo. O ensaio não precisa concluir tudo, ele investiga, provoca, levanta hipóteses. Não se compromete com verdades fechadas, mas com a honestidade.

É uma escrita que pensa junto com o leitor. Que admite dúvidas. Que aceita o inacabado.  No ensaio, o autor não afirma do alto ele caminha ao lado.

Livro Ensaio de Montaigne   

 

E aí, gostou do tema? Gostaria de ver mais reflexões assim por aqui? Que tipo de texto você costuma escrever, conto, crônica, ensaio ou ainda não sabe nomear? Conta pra mim nos comentários. Vamos conversar.

 

 

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3 Comentários

  1. Dicas valiosas que vale a pena nunca esquecer!

    Bjxxx,
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  2. Goastei muito e é importante disso saber. Eu, por exemplo, escrevo destrambelhadamente,rs...
    beijos, tudo de bom,chica

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  3. Gostei demais querida Vanessa!
    Inclusive li o conto do Gato Preto completo e surpreendi-me pois antes só o lia por fragmentos.
    As crônicas de Rubem Braga são espetaculares, que maneira sutil de escrever...
    Já os ensaios são por demais importantes, pura cultura!
    Adorei saber a tênue diferença entre cada uma delas!!
    Obrigada e um 2026 maravilhoso, de muita paz e harmonia!!
    Beijos!

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