Olá, leitores do Pensamentos Valem Ouro! Eu sou a Flávia e, a partir de hoje, irei contribuir com resenhas e afins para esse blog lindo. Caso alguém tenha curiosidade e deseje saber um pouco mais sobre essa ser humana que ora fala, clique na minha foto, localizada na aba de colaboradores. Lá você vai encontrar um textinho sobre minha pessoa. Por agora, basta eu dizer que amo ler e que para mim é um prazer estar aqui. Feitas as devidas (e breves) apresentações, vamos à resenha!


 




Título: A. V. Seixas
Editora: Autopublicação
Ano: 2014 / Páginas: 368
Idioma: Português
Depois de passar os últimos anos viajando pelo mundo, Alexis Vienna e sua mãe se estabelecem em Londres. Após uma noite de cinema com os amigos, Alexis se vê no lugar mais improvável possível: A Floresta Amazônica. Sua memória sobre os últimos 6 meses está perdida. Desaparecimentos e mortes inexplicáveis cercam o mistério por trás de sua nova estada no Brasil, onde ela terá que lidar com a outra parte de sua família e com os fantasmas de seu passado.

Bom, finalmente acabei o primeiro tomo da "Saga Linear", série da autoria de A.V. Seixas. Infelizmente, ao terminar a leitura dessa obra, fiquei com uma forte sensação de alívio, ao invés de sentir qualquer tipo de satisfação. Em outras palavras: para mim, ler "A Trilha" não foi uma experiência boa. Vem comigo, pois, após dar um breve resumo do enredo, vou justificar minha opinião.

O livro conta a história de Alexis, uma adolescente de 16 anos que vivia com sua mãe (uma antropóloga inglesa chamada Chistine) no exterior. Certo dia a garota acorda no meio da mata amazônica, onde Christine costumava fazer algumas expedições, sem ter memórias dos últimos seis meses. Alexis consegue sair fisicamente ilesa dessa situação, contudo, sua mãe está desaparecida e a menina não tem nenhuma lembrança que possa ajudá-la a descobrir o paradeiro materno.

A história gira em torno dos acontecimentos ocorridos com a protagonista depois de sua fuga da floresta: sua busca pela mãe, sua adaptação na casa do rico pai brasileiro (com quem não morava há anos), a descoberta de um novo amor e a recuperação paulatina de suas memórias, as quais começam a revelar segredos e desvendar mistérios. Apesar da premissa ser até interessante, o livro na realidade não se sustenta, devido à (quase inexistente) qualidade da escrita.

Redigido de maneira pouco original, o texto é repleto de erros gramaticais e apresenta uma gritante pobreza no uso da pontuação. Frases extremamente curtas e precariamente conectadas, que truncam o discurso e fazem a leitura monótona, se fazem constantemente presentes. Ademais, a deficiente manipulação das técnicas de narrativa e uma falta de coerência e clareza em certas partes do enredo também contribuem para o empobrecimento do resultado final. Além disso tudo, ainda é possível encontrar problemas na construção dos personagens, pois estes, simplesmente, não recebem desenvolvimento adequado.

Não somos apresentados de forma satisfatória às pessoas presentes nas páginas do romance; apenas vemos superficialmente seu comportamento, o qual é explicado de maneira muito direta e simplista pela narradora (a própria Alexis). Isso elimina qualquer possibilidade de sutileza e elegância textuais, além de ferir uma regra básica da escrita literária: não explique; mostre. Na verdade, faltam profundidade e entrelinhas em "A Trilha", não só no tocante aos personagens, mas em todos os aspectos da história. 

Apesar da obra apresentar muitas falhas, admiro a coragem e a perseverança da autora, a qual não só criou um livro todo, como também encarou uma publicação independe. Quantas pessoas não sonham em fazer o mesmo e jamais realizam essa ambição? No entanto, a meu ver, "A Trilha" não estava pronto para ser publicado. Muitas revisões e reescritas deveriam ter sido levadas a cabo antes da publicação, para garantir não somente um uso apropriado da língua portuguesa, mas também uma melhor aplicação dos métodos narrativos. Embora o primeiro volume dessa série literária não seja digno de muitos elogios, talvez ainda haja esperanças: quiçá o segundo livro possa receber melhor preparação, ser melhor trabalhado. Quem sabe? No fim das contas, somos todos passíveis de aprender com nossos erros e de usá-los para crescer, melhorar e evoluir.