Resenha: Não Pare! - FML Pepper

Título: Não Pare!
Autoria: FML Pepper
Editora: Valentina
Gênero: Suspense e mistério/Infantojuvenil/Romance/Fantasia/ Literatura Brasileira
Ano: 2015
Páginas: 290
ISBN: 9788565859660

Nina Scott não suportava mais a vida nômade e solitária que sua mãe, Stela, a obrigava a ter. Mudar de cidade ou de país a cada piscar de olhos, conviver com tantas perguntas que a consumiam, assombrada por mistérios de um passado guardado a sete chaves. Agora, aos 16 anos, a garota das estranhas pupilas verticais exigia respostas. E, para sua péssima sorte, elas já estavam a caminho!
Quando Stela decide ficar em Nova York, Nina acredita que seu sonho de ter uma vida normal vai se tornar realidade. Finalmente terminará o ano letivo em um mesmo colégio, poderá fazer amigos sem ter que abandoná-los em seguida, viver um grande amor, amadurecer, criar raízes... Enfim, curtir a juventude. Mas o “normal” está muito longe da vida de Nina! Perdida no olho de um furacão de mortes e inexplicáveis acidentes, tendo que esconder os terríveis fatos da mãe paranoica, Nina começa a desconfiar da própria sanidade mental, de tudo e de todos. O que explicaria os paralisantes calafrios, a perda de visão e de memória que experimentava sempre que alguém morria ao seu redor? O que ela teria a ver com os bizarros e sobrenaturais acontecimentos? Estariam eles interligados? Seria a Morte sua companheira para toda a vida?
É chegada a hora da verdade.


Os livros que contêm histórias de suspense/mistério/terror costumam prender minha atenção de uma forma inexplicável. Foi basicamente o que aconteceu com Não Pare! já que todo o mistério que envolve a vida da protagonista faz com que você fique horas com os olhos grudados no livro, sem querer parar.


A vida de Nina Scott é muito diferente da vida dos demais adolescentes. Aos 16 anos, próximo de completar 17, Nina já morou em tantos países diferentes, já viajou tanto que está farta e seu único desejo é permanecer em um único lugar e poder criar raízes, conhecer pessoas e manter amizades como uma pessoa normal. Sua mãe Stella, é super-protetora. Ela trabalha com fabricação de lentes de contato e é essa uma de suas justificativas para se mudar tanto, pois vez ou outra, sem motivo aparente, lá estavam elas dentro de um avião, mas finalmente algo acontece e ela decide se fixar em Nova York e tentar ser uma família comum.
"Apesar de tudo, eu a amava demais. E esse amo conseguia suplantar a raiva que alimentava por suas loucuras e nossa vida cigana. Eu tinha que aprender a aceitar a mudez e o temperamento de minha mãe."
Nina tem, dentre outras, uma característica peculiar: seus olhos possuem pupilas com um formato diferente, parecendo olhos de gato, motivo pelo qual a mãe dela se especializou em desenvolver lentes de contato. A relação das duas é agradável, porém Nina sente certo desconforto com o excesso de proteção da mãe, é um amor meio diferente.

Já em nova York, Nina está bem contente em, finalmente, ficar em um só lugar, mas em um dia normal, voltando para casa, Nina quase é atropelada. Abro um parêntesis aqui para dizer que, em toda sua vida, Nina teve que conviver com situações de quase morte, precedidos de calafrios, tonturas e desmaios e em todas as ocasiões, resultou em mudança de país. Sendo assim, ela decide não contar para sua mãe o que aconteceu. Para provar para ela mesma que pode sim viver normalmente, consegue um emprego em uma livraria, mas os eventos estranhos não param de acontecer. Na escola, ela conhece Melanie, que rapidamente se torna sua amiga, além disso surge também Kevin e o assombroso e atraente Richard.


Existe uma atração esquisita de Nina para com Richard, apesar de parecer que ele a odeia. Kevin, pelo contrário, está sempre por perto, ajudando Nina de forma gentil e carinhosa. Em vários momentos ele até salva a vida dela desses "acidentes" que acontecem.

A autora do livro, FML Pepper nos apresenta um mundo surreal e durante a narrativa ela mostra uma forma diferente da criação do mundo e como céu e inferno foram separados. Mas aqui temos quatro dimensões: o Plano, o Intermediário, Zyrk e Vértice, sendo o primeiro e último, céu e inferno, respectivamente, Intermediário o local onde os humanos vivem e o Zyrk, responsável pelo equilíbrio. Não vou dar muitos detalhes dessa parte, já que é muito bem explicado no livro.

Achei a abordagem bastante interessante, mas confesso que em vários momentos perdi a paciência com a Nina. Até mais da metade do livro, a autora apresenta os personagens envolvidos e ambienta o leitor ao cenário, por isso, essa parte ficou um tanto lenta, o que não impediu que prendesse minha atenção, já que o tema, por ser bastante atrativo, fez com que eu quisesse saber o desfecho de tudo. Sobre a minha falta de paciência com a Nina, bom, nos momentos em que ela estava em real perigo, ela não entendia de fato os riscos e o tempo todo pensa que estão brincando com ela. Mas cheguei à conclusão de que isso é mais por ingenuidade mesmo, visto que a única referência de contato humano que ela sempre teve foi a mãe.


Outra coisa que me chateou foi que o Richard, o tempo todo, humilha, briga e até bate na Nina e ela se apaixona por ele. As pessoas como o Richard, que você vão descobrir do que se trata quando lerem, não possuem sentimentos bons e não são nada sensitivas, ok, mas realmente não me conformei com esse sentimento da Nina por ele. Em alguns momentos você percebe que ele deseja protegê-la, no entanto, sempre que tem uma oportunidade de ele ser grosseiro, ele é.
"E, aproximando-se de mim, Richard se abaixou e jogou água com delicadeza, deslizando seus dedos por minha face ardida. Começou limpando minha testa, minhas sobrancelhas, olhos, nariz, bochechas e, à medida em que seus dedos caminhavam em direção aos meus lábios senti sua respiração se modificar e meu coração sapatear no peito."
"[...]- Verdade?!? A única verdade que tenho nesse momento é o que sinto por você - confessei num murmúrio sofrido - Como nunca senti por ninguém, Richard. Sei que não é lógico e muito menos sensato, mas é o que sinto. É puro."
Gostei bastante do enredo no geral e algumas coisas ficaram meio em aberto, além de que há muitos rodeios para explicar o que a Nina é e qual a importância dela em todos os acontecimentos, o que causa muita ansiedade. Como é uma trilogia, então imagino que há muito o que se explicar nos próximos livros, motivo este que me deixa extremamente ansiosa para ler Não Olhe!, segundo livro da trilogia. É realmente um quebra cabeças (referência à frase escrita atrás do livro) e quero muito juntar todas as peças.

Ser apaixonada por leitura não ia de encontro à minha origem. Vinda de uma família humilde, eu não tive acesso a livros de ficção no decorrer de minha infância. Eles eram caros e meus pais esforçavam-se por comprar os estritamente necessários (e chatos!), tais como: matemática, física, química etc. Tive que deixar minha paixão pela leitura de lado e começar a trabalhar desde cedo. O tempo se esvaía, como água entre os dedos, e não me sobravam minutos para os sonhos. Porém, a mesma vida que me fez mudar de direção, deu uma guinada em sua trajetória e me colocou face a face com meu antigo e fulminante amor: os Livros de Ficção, mais especificamente, os livros infantojuvenis. Workaholic assumida, vi meu mundo ficar de cabeça para baixo quando meu médico disse que estava grávida, mas que era uma gravidez de risco e que teria que ficar de repouso durante os nove meses, caso realmente quisesse segurar o bebê em meus braços. De início, achei o máximo ficar algumas semanas sem fazer nada, só comendo besteiras e vendo todos os programas da televisão, mas, os dias foram passando e, com eles, a minha paciência se esgotando. Após um mês deitada, estava a um passo da depressão quando meu marido (e nas horas vagas, meu super-herói) entrou em ação. Vou me recordar até os últimos dias de minha vida quando ele chegou em casa carregando um presente envolto num lindo embrulho e disse com um sorriso travesso nos lábios:
"Você já dormiu demais. Está na hora de começar a sonhar."
Abri o pacote e lá estava o meu grande amor piscando para mim: um livro de ficção. E era infantojuvenil! Bom, dali em diante, devorei quantidades absurdas deles. Não sei se vale a pena dizer, mas eu li quase 100 livros em menos de um ano. Loucura, não? Mas é a pura verdade. O resto são detalhes.
E aqui estou eu...
E você, já leu Não Pare?
Até a próxima.

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